— Não havia mais quartos vagos no andar de cima.
Ou seja, não queriam deixá-la ficar ali.
Isabela nem se abalou.
— Então deem um jeito. Liberem um para mim. Andem.
— Sim.
As duas subiram.
Bruna estava tão furiosa que mal conseguia respirar direito.
— Liberar? Você quer liberar o quarto de quem, hein?
Já tinham deixado claro que não havia mais nenhum quarto disponível.
E, ainda assim, ela vinha com aquela ordem, mandando que arrumassem um para ela, como se não fosse uma estranha.
Ela queria continuar na casa dos Pereira.
Mas que tipo de atitude era aquela?
Daquele jeito, como Bruna poderia permitir que ela continuasse ali por mais tempo?
Por que a polícia ainda não a tinha prendido?
Ela tinha causado a morte da criança. Então por que ainda podia aparecer na casa dos Pereira para fazer escândalo?
Isso mesmo: escândalo.
No estado em que Isabela se encontrava, Bruna só conseguia enxergar aquilo como uma provocação. Será que ela queria destruir até o último lugar de paz que lhes restava?
— Eu quero o maior quarto. Só não sei qual de vocês duas está ocupando ele.
— Você realmente não se enxerga como alguém de fora, né? — Taís disparou, com sarcasmo em cada palavra.
Ao ouvir aquilo, Isabela ergueu os olhos do livro.
Lançou às duas um olhar carregado de desdém. Naquele instante, havia em seus olhos uma pressão afiada, digna de uma rainha.
Então, um traço de zombaria curvou seus lábios.
— Pois você acertou em cheio. Eu ainda sou a esposa do seu irmão. Nós não nos divorciamos.
Bruna ficou sem palavras.
Taís também.
As palavras "não nos divorciamos" cravaram-se com violência nos nervos de Bruna.
Isabela ergueu levemente o queixo e falou, em tom displicente:
— Se eu não me engano, aquele acordo de divórcio de antes era para me mandar embora sem um centavo, não era? — Ela fez uma pausa. O sorriso em seus lábios ficou ainda mais irônico. — E agora? Está arrependida de não ter me dado logo cinco bilhões para eu sumir?
Ao ver a calma insolente de Isabela, Bruna ficou ainda mais furiosa, a ponto de quase desmaiar de raiva.
Sim, ela estava arrependida.
Por que não tinha preparado logo um acordo de divórcio de cinco bilhões?
Quando o acordo a deixava sair sem nada, Cristiano se recusava a assinar.
Em vez disso, voltou-se para a nutricionista ao lado e disse, com toda a calma:
— Na sopa da manhã, eu quero um pouco de carne.
— Claro.
A nutricionista assentiu e se virou para ir à cozinha preparar tudo.
Mas, assim que as duas entraram, as cozinheiras da família Pereira foram expulsas dali na mesma hora.
Ao ver aquilo, Bruna sentiu que seria melhor desmaiar de uma vez.
Pouco depois, as duas empregadas do País Y que tinham subido apareceram no alto da escada com os braços cheios de coisas.
— Com licença, onde devemos colocar isto?
O português delas era fluente e impecável.
Taís lançou um olhar e reconheceu na hora: o que uma das empregadas carregava era do quarto dela.
O que a outra levava era do quarto da Bianca.
Como a Bianca não estava, as empregadas simplesmente tinham escolhido o maior quarto para Isabela.
Taís explodiu, tomada pela raiva.
— Com que direito vocês mexeram nas minhas coisas? Coloquem tudo de volta agora.
Bruna também ficou tão furiosa que quase desmaiou ali mesmo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...