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A Última Chance da Luna Adoecida romance Capítulo 248

Ponto de vista de Ella.

O ranger de uma tábua do assoalho atrás de mim me fez erguer a cabeça num estalo, encontrando Alexander parado na porta da cozinha, me observando com uma expressão estranha.

Enxuguei rapidamente meus olhos com as costas da mão e forcei um sorriso, esperando que ele não me tivesse visto chorar.

— Alex— Alfa Alexander. Do que o senhor precisa?

Alexander me encarou por mais um momento, os olhos verdes oscilando com algo que eu não conseguia decifrar. Então, soltou um suspiro que fez seus ombros caírem. Ele parecia ainda mais exausto do que antes.

— Eu... — Ele passou a mão pelo cabelo e balançou a cabeça.

— Nada. Acho que estou enlouquecendo. Esta semana inteira tem sido...

Ele não terminou a frase, mas meu coração doeu por ele do mesmo jeito. Apesar de tudo, ele ainda tinha perdido sua Luna e ficou encarregado de criar um filho sozinho. Não pude evitar sentir pena dele por isso.

— O senhor deveria se sentar. Parece que não dorme há dias. — Disse, apontando para a cadeira à minha frente.

— E não durmo. — Alexander deixou-se cair na cadeira.

— Pensei que estaria disposto para o banquete de hoje, mas toda essa socialização, conversa fiada e política estão fazendo minha falta de sono me atropelar.

Levantei-me e apoiei Lucien no quadril.

— Deixe-me preparar algo para o senhor. Leite quente com mel pode ajudar a dormir mais tarde.

— Você não precisa—

— Não é incômodo nenhum. De verdade. — Disse, pegando uma caneca no armário.

Aqueci o leite no fogão, misturando uma colher generosa de mel. O ritual familiar era reconfortante, me fazia lembrar das noites em que Lilith preparou a mesma bebida para mim durante a gravidez, quando os enjoos e as dores nas costas se tornavam insuportáveis.

Lucien tinha terminado sua mamadeira e começava a adormecer nos meus braços. O embalei suavemente enquanto levava a caneca até Alexander.

Mas quando fui lhe entregar o copo, meu pé prendeu no pé da cadeira e tropecei para a frente. Foquei em proteger Lucien, o abraçando, e então a caneca escorregou da minha mão e o leite quente espirrou para todos os lados — pela mesa, pelo chão e por todo o terno preto caríssimo de Alexander.

— Oh, Deusa! Me perdoe, Alfa. Sinto muito mesmo. Deixe-me limpar. — Engasguei ao me dar conta do que tinha feito.

— Está tudo bem, Estella. — Alexander levantou devagar, com o leite ainda pingando da sua camisa.

Mas eu já estava de joelhos, limpando o leite derramado no chão com um pano de prato agarrado na minha mão trêmula. Isso não podia acontecer, eu não podia perder este emprego. Não podia perder minha chance de ficar perto do meu filho.

— Por favor, Alfa, eu sou tão desastrada, não sei o que aconteceu—

— Stella. — A mão de Alexander fechou-se ao redor do meu pulso, interrompendo minha limpeza frenética.

— Pare.

Olhei para ele de onde estava ajoelhada no chão, ainda segurando Lucien contra o peito com um dos braços. Os olhos verdes de Alexander estavam suaves, não furiosos como eu esperava. Ele me ajudou a ficar de pé, com a mão ainda firme em meu pulso.

Ficamos ali parados por um instante, perto o suficiente para que eu pudesse sentir seu perfume familiar de uísque e fumaça de madeira por baixo do cheiro adocicado de leite derramado. Perto o bastante para enxergar os pontos dourados em seus olhos verdes. Perto o suficiente para que, se eu me inclinasse só um pouco para a frente...

Minha garganta secou. Aquele era um terreno perigoso.

Tentei dar um passo para trás, precisando colocar algum espaço entre nós, mas Alexander segurou meu pulso com firmeza. Meus olhos se arregalaram quando olhei para ele e vi o brilho de reconhecimento em seu olhar.

— Você se parece tanto com ela. — Sussurrou ele.

Meu estômago afundou.

— Com quem? — Perguntei. Mas, é claro que eu já sabia a resposta.

— Minha esposa. Ella. — O aperto de Alexander no meu pulso intensificou-se ligeiramente.

— A semelhança é... impressionante. Você é parente dela de alguma forma? Primas, talvez?

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