O tempo todo, o cansaço só aumentava a cada minuto que passava.
Eu não cheguei a desabar de novo, mas com certeza sentia que podia apagar a qualquer momento. Minhas pernas estavam fracas, minhas costas doloridas e minha cabeça não parava de rodar de leve, mesmo sem eu ter tocado em uma gota de álcool.
De alguma forma, consegui me manter de pé só para pirraçar o Gabriel.
Quando finalmente chegamos à sobremesa do jantar, eu já estava lutando para manter os olhos abertos. Meu garfo parecia pesado demais enquanto eu cutucava a musse de chocolate no meu prato.
— Você está com uma cara péssima.
Ergui os olhos e dei de cara com a Sophia parada ao lado da nossa mesa, com uma taça de champanhe na mão e aquele sorrisinho debochado de sempre. O Alexander não estava em lugar nenhum — provavelmente bajulando os figurões da alcateia por aí.
— Como é que é? — Perguntei.
— Você parece doente. — Disse Sophia, sem papas na língua, puxando uma cadeira para sentar do meu lado.
— Pálida, cansada e, para ser sincera... — Ela se inclinou, baixando a voz para um sussurro.
— ...Inchada. Está se sentindo bem? Você não está grávida, está?
Meus dedos apertaram o garfo com força. Ela estava mesmo me perguntando se eu estava grávida? Como se já não tivesse causado problemas o suficiente hoje destruindo a única coisa que realmente importava para mim?
— Estou perfeitamente bem, obrigada por perguntar. — Respondi, batendo o garfo na mesa com tanta força que o prato estremeceu e as pessoas nas mesas vizinhas levaram um susto.
— E, talvez, na próxima vez que você for criticar a aparência de outra mulher, devesse se olhar no espelho. Esse vestido não está te favorecendo em nada.
O silêncio reinou ao redor da mesa. O rosto da Sophia ficou vermelho na hora, e por um segundo achei que ela fosse jogar o champanhe na minha cara. Mas estávamos cercados por gente importante demais para ela se dar ao luxo de fazer um escândalo. Em vez disso, ela empurrou a cadeira para trás com um barulho estridente, levantou-se e saiu pisando duro sem dizer mais nada.
Ignorando os olhares curiosos, cerrei os dentes, peguei o garfo e enfiei uma colherada enorme de musse na boca.


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