Ella & Alexander.
Ponto de vista de Ella.
O sangue gelou nas minhas veias quando me virei e vi Liam parado na minha frente, dizendo meu nome. Meu nome verdadeiro.
— Desculpe... Pensei que você fosse... Deusa, devo estar enlouquecendo. — Disse Liam, balançando a cabeça e esfregando as têmporas.
Minha garganta secou.
— Eu... me desculpe, nós nos conhecemos?
A mentira teve um gosto amargo na minha língua. É claro que nos conhecíamos. Eu queria correr até ele, abraçá-lo com força e mantê-lo perto, mas não podia. E aquilo era ainda mais doloroso do que eu esperava.
— Não, não nos conhecemos. — Respondeu Liam, mas seus olhos nunca deixaram meu rosto. Ele me estudou com uma intensidade que fez minha pele formigar.
— É só que... você se parece exatamente com alguém que eu conhecia. Alguém que... Alguém que morreu recentemente. — O rosto dele se contorceu levemente.
Meu coração se despedaçou em mil pedaços ali mesmo no meu peito.
— Sinto muito pela sua perda. — Consegui dizer, quase me engasgando.
— Obrigado. — Os ombros de Liam caíram e, por um momento, ele pareceu tão perdido que não desejei nada além de lhe contar tudo. Dizer que eu estava bem ali, que não estava realmente morta, que ele não precisava chorar por mim.
Mas eu não podia. A maldição não deixava.
A própria ideia do que poderia acontecer a Liam se eu revelasse a verdade fez meu estômago se contorcer de medo. Eu já tinha colocado uma pessoa inocente em risco, o fazendeiro que me ajudou a voltar para casa. Não suportaria a ideia de ver Liam enfrentando as mesmas consequências.
— Ela era... minha amiga mais próxima na infância. Eu deveria ter ido vê-la mais vezes, mas a gente sempre acha que tem mais tempo do que realmente tem... — Ele balançou a cabeça novamente.
— Me desculpe. Você não precisa ouvir sobre os meus problemas.
— Não, por favor. Eu... eu entendo como é perder alguém importante. — Disse rapidamente.
Isso era verdade, mesmo que ele não soubesse que eu estava falando de mim mesma.
Liam conseguiu dar um sorriso triste.
— Você é muito gentil. Como disse que se chamava?
— Stella. Stella Night. — Respondi.
— Stella. — Ele repetiu meu nome falso devagar, como se o testasse na língua.
— Você realmente se parece incrivelmente com ela. Até a sua voz. Você não é parente da Ella, é?
— Não. — Respondi rápido, talvez rápido demais. Então, em um impulso, acrescentei:
— Mas eu a conhecia quando éramos crianças.
Os olhos de Liam se arregalaram.
— Você conhecia a Ella?
Aquele era um terreno perigoso, mas não havia mais como voltar atrás.
— Conhecia. Nós brincávamos juntas às vezes, quando nossas... alcatéias se reuniam. — Disse, mordendo a parte interna da bochecha.
— Sério? Ela alguma vez mencionou a meu respeito? — Liam deu um passo à frente, o rosto se iluminando com um sorriso.
Meu coração se partiu novamente diante da esperança desesperada nos olhos dele. Eu não deveria ter dito nada, mas vê-lo daquele jeito me fez querer dizer algo. Qualquer coisa.
— Mencionou. Na verdade, ela falava bastante de você. — Disse suavemente.
— Sério?
Assenti, piscando para conter as lágrimas.
— Ela sempre dizia que você era o amigo mais próximo dela. Que você era a única pessoa que realmente a entendia, que a enxergava pelo que ela era de verdade, em vez do que os outros esperavam que ela fosse.

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