Ponto de vista de Ella.
— Muito engraçado, mas não vou dormir no chão. — Peguei o cobertor e os travesseiros e marchei em direção aos beliches.
Eu esperava que a criada risse e admitisse que estava tirando sarro da minha cara, por ser a nova funcionária e tudo mais, mas, em vez disso, ela saltou da cama de cima e bloqueou meu caminho.
— Meu quarto, minhas regras. Ou você encontra outro quarto para ficar, ou se acostuma a dormir com os ratos.
Ergui uma sobrancelha para aquilo.
— Você está brincando, certo? Você ao menos sabe quem eu sou? Eu sou a—
Antes que eu pudesse terminar de dizer aquelas palavras — "Eu sou a Luna" —, fechei a boca com tanta força que meus dentes estalaram. Que inferno; eu tinha esquecido de novo que não estava mais no meu antigo corpo. E, como tinha acabou de conseguir o emprego que poderia ser a única coisa a me permitir ver meu filho novamente, não queria uma repetição do que acontecera com o Beta.
— Você é quem? — A criada inclinou a cabeça, os olhos frios brilhando com uma alegria maliciosa.
— Você acha que é a senhora da casa só porque a Luna se foi e você por acaso é um pouco atraente? Não. Você é uma ninguém. Não importa o que você pense, o Alfa não vai te comer. Então vai. Para. O. Chão.
Deusa, como eu queria dar um tapa na cara dessa garota. Se ela ao menos soubesse quem eu realmente era.
A analisei brevemente, me lembrando vagamente de alguns incidentes com uma criada que vivia roubando a comida dos outros na geladeira. Alguns dos outros funcionários tinham vindo até mim em algumas ocasiões para fazer reclamações sobre essa mesmíssima criada.
Na época, não dei muita importância. Havia comida de sobra para todos, e eu lhes disse para encontrarem outra coisa para comer ou resolverem o problema entre si. Além disso, eu tinha outras coisas com que me preocupar, como agradar a um homem que não me queria.
Que tola maldita eu fui. Tão absorvida nos meus próprios problemas que não lidei com as questões domésticas da maneira como deveria. Parte do dever de uma Luna era gerenciar a casa, e o que eu tinha feito?
Ficado me lamentando e desejando que Alexander me notasse?
Pois bem, chega disso. Eu podia não ser mais a Luna, mas ainda podia fazer algo a respeito de funcionários problemáticos.

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