Assenti, sabendo que Lilith estava certa. Eu não podia me dar ao luxo de ficar sentada ali me afundando em pena. Precisava reagir e aceitar que esta era a minha vida agora, gostasse eu ou não, e apenas me alegrar por fazer parte da vida do meu filho.
— Quando eu era bebê — perguntei, olhando para Lilith —, o que você fez? Com certeza tentou me ver.
O rosto de Lilith escureceu.
— Quando percebi o que tinha acontecido comigo e voltei aos meus sentidos, seu pai já tinha se casado novamente. Lembro de aparecer na porta dele e implorar por um emprego, mas ele e a nova esposa literalmente me jogaram na rua sem dó.
Margaret. Só de pensar nela meu humor azedava.
— Não os vi no velório. — Pontuei.
Lilith debochou.
— Eu não queria dizer nada a menos que você me perguntasse, mas eles nunca apareceram. Pelo visto, receberam uma grande indenização do seguro quando a casa pegou fogo e foram viajar.
— Férias. — Olhei para Lilith.
— Você acha que foram eles que atearam fogo à propriedade? Pelo dinheiro do seguro?
— Acho... que não deveríamos descartar nada a esta altura. — Lilith respondeu cautelosamente.
— Qualquer um poderia ter feito isso, ouu talvez tenha sido realmente um acidente. De qualquer forma, nosso lar ancestral se foi e seu amado pai é um bastardo que estava ocupado demais se divertindo por aí com sua esposa interesseira para vir ao funeral da própria filha.
Lar ancestral. As palavras atravessaram direto o meu coração.
— Certo. Stormhollow era a alcatéia da sua família antes de...
— Antes de eu me casar com seu pai. Sim, se eu tivesse me mantido solteira, teria herdado a alcatéia e me tornado a fêmea Alfa. Mas o destino tinha outros planos. — Ela suspirou com nostalgia, mas depois sorriu e deu um tapinha no meu joelho.
— Mas se não fosse pelo seu pai, eu não teria você. Então, no fim das contas, sou grata.
Particularmente, eu achava difícil ser grata por qualquer coisa que aquele homem tivesse feito. Ele não passara de um interesseiro e manipulador a vida inteira, movido pela ambição a ponto de não pensar em ninguém além de si mesmo.
— Ainda assim — continuou Lilith —, dói ver a alcatéia que um dia pertenceu à minha família ruir sob o comando de um homem que não sabe gerenciar dinheiro e não tem simpatia pelo seu povo. Com frequência, desejo poder assumir meu lugar de direito como Alfa. Mas... — Ela gesticulou para si mesma, indicando sua situação.
— É impossível.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Última Chance da Luna Adoecida