Ponto de vista de Ella.
Alexander hesitou, olhando para mim com uma expressão desconfiada. Mas, para minha surpresa, após considerar por um momento, ele assentiu.
— Tudo bem. Como foi parcialmente culpa do meu Beta você ter perdido a entrevista, vou lhe dar outra chance.
— Obrigada. — Estufei o peito e passei por ele, indo direto em direção ao quarto do bebê.
— Onde você vai? — Alexander chamou atrás de mim.
Paralisei no pé da escada, as bochechas esquentando quando me dei conta de que eu não deveria saber onde ficava o quarto do bebê. Eu não deveria saber nada sobre a casa que foi o meu lar por seis anos.
Forçando um sorriso, me virei para Alexander.
— Me desculpe. Presumi que o quarto do bebê ficasse no segundo andar.
Alexander piscou, confuso.
— Bom, fica, mas... — Seus ombros caíram com um suspiro e, por um segundo, quase pensei ter visto o mais leve vislumbre de diversão em seus olhos verdes cansados.
— Esquece. Por aqui.
Deixei que Alexander me guiasse escada acima e pelo corredor, onde eu sabia que ficava o quarto. A porta já estava entreaberta quando nos aproximamos. Meu coração martelou no peito quando os sons suaves de uma canção de ninar tocando em uma caixa de som — a mesmíssima caixa que eu escolhi, que tinha uma função giratória e projetava formas de estrelas e luas pelas paredes no ritmo da música — ecoaram lá de dentro.
Eu queria correr direto para o meu filho e segurá-lo em meus braços tão desesperadamente. Mas me contive, focando em causar uma boa impressão.
— Ele está bem aqui. Vou lhe dar cinco minutos. Depois disso, pego ele de volta. — Disse Alexander, a mão pousada na maçaneta.
Cinco minutos. Pelo que eu sabia, aquela poderia ser a única e exclusiva vez em que eu conseguiria segurar meu filho. O pensamento me atravessou como uma faca cravada diretamente no coração, mas mantive meu sorriso calmo por fora.
— Claro. Posso fazê-lo dormir profundamente até lá.

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