Uma fúria legítima borbulhou dentro de mim com o tom indignado do Beta. Ele não percebia com quem estava falando? Eu era a Luna de Ashclaw, a esposa de Alexander, a mãe do herdeiro de Ashclaw! Eu era a porra da esposa do Rei Alfa, pelo amor da Deusa!
— Você vai me deixar completar minha entrevista. E você não vai falar comigo dessa forma. — Lati, abrindo aquele sifão profundo dentro de mim para liberar meu poder de Luna.
A boca do Beta se abriu em choque, mas não fiquei para ouvir sua resposta. O empurrei com um, exatamente como fiz com Gabriel tantas vezes no passado, e comecei a marchar em direção ao escritório de Alexander.
Mas não passei da sala de estar.
Porque o Beta me agarrou pelo cabelo e me puxou para trás com tanta força que meu pescoço estalou e eu caí no chão, arfando de dor.
— Moça, quem você pensa que é? — Rosnou ele, pairando sobre mim.
— Você é apenas uma renegada. Não tem o direito de falar com um Beta desse jeito, entendeu?
Meus olhos se arregalaram ao perceber o que eu tinha acabado de fazer. Sem querer, tentei usar minha voz de Luna e meu antigo status para conseguir o que queria. Só que eu não era mais a Luna Ella. Eu era Stella, uma renegada qualquer, sem poder sobre ninguém.
Nesse momento, uma presença tempestuosa invadiu o cômodo. Não precisei olhar para saber quem era, pude sentir a fúria de Alexander antes mesmo de vê-lo.
Esta era, provavelmente, a parte em que ele me pegava pela orelha e me jogava na rua sem dó, para que eu nunca mais visse meu filho.
Mas, para minha surpresa, ele se colocou entre mim e o Beta. Ele não estava olhando para mim quando rosnou:
— Por que você acabou de encostar as mãos nesta mulher?
Pisquei, completamente atônita. O Alexander que eu conhecia nunca teria defendido uma renegada qualquer que ele nem conhecia, muito menos uma que tinha interrompido um funeral. Ou meu palpite sobre a falta de luto dele estava correto, ou ele tinha se tornado repentinamente mais gentil do que eu esperava após a minha morte.
As sobrancelhas do Beta se ergueram.
— Ela é uma renegada, senhor. E foi insubordinada. Tentando me dar ordens e me empurrando—

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