Ponto de vista de Ella.
Os dias se passaram como um borrão depois que o Alexander voltou de viagem. Eu passava a maior parte do tempo na cama, dormindo de forma sobressaltada ou encarando o jardim lá fora pela janela. O curativo na minha cabeça tinha sido trocado por um menor, mas as dores de cabeça continuavam bastante persistentes.
Alexander mal falava comigo agora. Ele vinha deitar tarde, muito depois de eu já ter fingido pegar no sono, e saía bem cedo pela manhã, antes de eu acordar. Quando nossos caminhos se cruzavam pela casa, apenas trocávamos olhares furiosos e seguíamos direções opostas.
Era melhor assim, era mais fácil.
Eu não precisava mais fingir que poderia existir algo entre nós. Não precisava ficar me perguntando se aqueles momentos no hospital ou a forma como ele tinha olhado para mim por alguns breves segundos significavam alguma coisa.
Gabriel tinha deixado cristalino o que o Alexander realmente pensava de mim: fraca, manipuladora, patética. Ele não se importava se eu morresse, só se importava consigo mesmo.
Eu o odiava.
A pulseira de flor de cerejeira ainda estava caída em algum lugar atrás da cômoda onde eu a tinha jogado. Eu poderia ter pedido para a Sarah pegá-la, mas não queria vê-la de novo. Não queria mais um lembrete do quão estúpida eu fui ao achar que o Alexander poderia realmente se importar.
No quarto dia, ouvi uma batida suave na porta do quarto. Achei que seria a Lilith com alguma sopa ou a Sarah com sua doçura falsa, mas, em vez disso, o Liam colocou a cabeça para dentro do quarto.
— Ei, posso entrar? — Disse ele, com gentileza.
— Claro. — Esforcei-me para me sentar de forma mais ereta, arrumando o cabelo com as mãos. Eu provavelmente parecia um trapo.
Liam entrou e fechou a porta atrás de si. Em seguida, puxou a poltrona para mais perto da cama e se sentou. O rosto dele estava sério.
— Como você está se sentindo?
— Bem. — Respondi de forma automática.
— Ella. Como você está se sentindo de verdade? — Ele me deu aquele olhar de quem sabe tudo, o qual ele sempre tinha sido bom demais em ler.
Suspirei e deixei meus ombros caírem.
— Como uma merda. Mas qual é a novidade?
— Eu conversei com o Alexander.
Meu estômago se contraiu.
— Sobre o quê?
— Sobre a sua condição. Sobre o que você tem passado. — Liam se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Ella, por que você não me contou? Por que não contou para ninguém?

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