Ele também chorava feito um condenado toda vez que eu o colocava na cama, então havia esse detalhe.
Mas Sophia estava certa; eu já estava procurando uma babá, e o mundo não podia esperar para sempre. Eu ainda era o Rei Alfa, mesmo que quisesse apenas ser um marido em luto pelo resto da minha vida. Eu não podia deixar minhas obrigações de lado. Eu já tinha perdido tanta coisa nesta semana.
— Minha oferta ainda de pé, sabe? — Sophia se inclinou mais perto de mim.
— Me contrate como babá. Você nem precisa me pagar. Apenas... — Ela engoliu em seco.
— Deixe-nos voltar a ser como era antes. Amigos.
Meu maxilar se travou com aquilo. Sophia esteve praticamente me implorando para contratá-la como babá de Lucien desde que ele nasceu, mas eu ainda não confiava nela o suficiente para isso. E... amigos? Essa ideia parecia tão descabida que eu poderia ter rido se não estivesse tão exausto.
— O anúncio já foi publicado e recebemos dúzias de candidaturas. A esta altura, não posso simplesmente interromper o processo. Não seria justo com os profissionais qualificados que se candidataram. — Respondi secamente.
O rosto de Sophia escureceu. Ela abria a boca para dizer mais alguma coisa quando uma comoção repentina vinda do andar de baixo chamou nossa atenção. Vidro se quebrando e vozes alteradas. Um momento depois, Hunter irrompeu no quarto com olhos arregalados, cabelo desalinhado e um corte na bochecha, como se tivesse sido arranhado.
— Alfa, houve um incidente lá embaixo. Uma mulher sem-teto se esgueirou para dentro e está se recusando a sair.
Xingando baixo, segui Hunter para fora do quarto e desci as escadas. Encontrei a mulher em questão imediatamente no saguão, onde uma multidão se formara para assistir ao espetáculo. Ela estava de costas para mim, mas eu podia ver seu cabelo castanho-avermelhado selvagem, o macacão sujo e as botas gigantescas de onde eu estava.
— Me soltem! Eu moro aqui! — Ela gritava, lutando ferozmente contra dois guardas que tentavam "escoltá-la" à força segurando-a pelos braços.
— Quem é você? — Dei um passo à frente e segurei Lucien firmemente contra o meu peito.
— Meu filho está dormindo, então é bom você baixar a voz.
O cômodo caiu em silêncio. A mulher parou, travada, e então se virou bruscamente para olhar para mim. Olhos prateados, tão prateados que eram quase brancos, arregalaram-se ao notar o pequeno embrulho nos meus braços. Algo protetor tomou conta de mim, e apertei Lucien um pouco mais forte.
Mas, junto com esse instinto de proteção, veio outra coisa.

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