Ponto de vista de Alexander.
Ella estava morta.
Ela tinha falecido durante o parto há uma semana, e ainda não parecia real. Não quando o legista veio para levá-la, não quando o diretor da funerária me pediu para escolher um caixão, e nem mesmo agora, enquanto o corpo dela estava em exposição logo no andar de baixo.
Ela não podia estar morta. Eu me recusava a acreditar. Eu jurava que nosso vínculo não tinha se rompido completamente de alguma forma, como se tênues fios dele ainda existissem no éter.
E, no entanto, ela realmente se foi.
Não havia como voltar atrás agora, não importava o quanto eu quisesse voltar no tempo. Ah, como eu desejava desesperadamente poder voltar o relógio e nunca tê-la trancado. Talvez, se ela não tivesse sentido a necessidade de correr para a casa queimada de sua família em segredo, eu pudesse estar lá para ajudá-la quando entrasse em trabalho de parto. Ou talvez ela nem tivesse entrado em trabalho de parto por causa do estresse.
Mas o que estava feito, estava feito. Ella estava morta e me deixou com o nosso filho.
Nosso filho.
Eu o chamei de Lucien, derivado da palavra "luz". Não era um nome de família, como eu esperava dar ao meu primogênito, mas parecia apropriado. Ele era a única coisa que me mantinha de pé no momento. Uma luz dourada no fim de um túnel muito escuro e muito longo.
O momento em que perdi Ella e segurei nosso filho nos braços pela primeira vez foi quando finalmente me dei conta: eu a amava. Sempre tentei não me apaixonar por ela, a ponto de me recusar a pensar naquela palavra, mas agora eu sabia que a amava. Eu a amava. Muito pouco, muito tarde.
Tudo o que eu podia fazer agora era me arrepender por não ter dito isso a ela em vida. E garantir que Lucien, nascido cedo demais, pequeno demais e sem mãe, estivesse seguro e bem cuidado. Era o máximo que eu poderia fazer, já que não tinha mais como voltar atrás e consertar as coisas.
Enquanto eu ajeitava minha gravata no espelho com uma das mãos, com o pequeno Lucien dormindo embrulhado com segurança no vão do meu outro braço, uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos.
— Entre.

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