— Sim, senhor. Ele pagará generosamente ao senhor se você—
— A Luna Ella foi declarada morta há uma semana. Hoje é o dia do funeral dela.
Paralisei, sem saber o que dizer. Obviamente eu não estava morta; estava bem aqui, nua e confusa, mas muito viva. Mas o rosto do homem era solene enquanto ele tirava o chapéu e o segurava contra o peito.
— Uma pena, pelo que ouvi. — Disse ele suavemente, balançando a cabeça.
— Morreu durante o parto. — Ele olhou para mim com um olho velho e gasto pelo tempo.
— Embora você se pareça um pouco com ela... Mas não totalmente. Os olhos são diferentes, e o cabelo também.
— Isso é impossível. — Passei feito um furacão pelo velho e caminhei até a janela próxima que dava para o primeiro andar da casa.
— Eu sou a Luna Ella. O senhor deve ter informações falsas.
Mas quando me inclinei para a frente e olhei para o meu reflexo, fiquei gélida.
Porque o que olhava de volta para mim... Não era eu.
Bem... Era eu, mas diferente. Como se eu tivesse vestido uma pele diferente, ou talvez uma fantasia de mim mesma. Meu nariz era o mesmo, com uma inclinação suave e uma ponta ligeiramente arrebitada. Mas havia sardas espalhadas por ele agora, algo que eu nunca tive antes, e meu rosto estava um pouco mais oval do que costumava ser.
As diferenças mais marcantes eram, de fato, meu cabelo e meus olhos. Meu cabelo, antes louro-morango, agora tinha uma cor borgonha profunda, como a luz refletida em uma tábua de mogno polido — castanho-escuro com reflexos avermelhados que pegavam o sol.
E meus olhos, que costumavam ser de um azul brilhante, agora eram de um prateado frio. As íris eram tão próximas do branco que quase se misturavam com as escleras.
Tremendo agora, ergui a mão para tocar meu rosto e meu cabelo. Quase esperei que minha mão atravessasse tudo, como se eu fosse algum tipo de fantasma, mas minhas pontas dos dedos encontraram carne sólida.
Isso era real. Eu era real.

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