Depois que desligou, ele se sentou na borda da cama.
— A médica chegará em trinta minutos.
— Trinta minutos. — Repeti.
— Isso é muito tempo. Nós poderíamos fazer muitas coisas em trinta minutos.
— Ella.
— O quê? Só estou dizendo. Estamos sozinhos. O bebê não vai se importar se nós—
— Você inalou vapores tóxicos. Precisa descansar.
Funguei e me virei, de costas para ele.
— Você não tem graça nenhuma.
A Dra. Evelyn chegou exatamente trinta minutos depois. Enquanto Alexander esperava no corredor, ela checou meus sinais vitais, ouviu os batimentos cardíacos do bebê e me fez uma série de perguntas sobre como eu estava me sentindo.
— Está tudo normal. — Disse ela quando terminou, guardando o estetoscópio.
— Os vapores da tinta podem ter deixado você um pouco tonta, mas você e o bebê estão perfeitamente saudáveis.
A essa altura, o efeito já havia passado. A humilhação queimou rapidamente a euforia de antes, embora eu ainda sentisse uma atração estranha em direção a onde Alexander estava, do outro lado da porta. Era como se o vínculo de companheiros estivesse mais forte. Mais potente.
— Evelyn — disse eu, mantendo a voz baixa —, estou me sentindo... estranha. Não parecem mais os vapores da tinta, mas...
Mordi o lábio, sem saber como terminar sem me envergonhar completamente.
Resumindo: eu estava com um tesão desgraçado.
Evelyn pareceu entender imediatamente. Talvez pelo rubor nas minhas bochechas ou pela forma como eu me mexia desconfortavelmente na cama, como se quisesse saltar e correr para fora do quarto.
— Ah. A lua cheia é em três dias, você sabe. — Pontuou ela.
Senti meu estômago afundar. Eu estive tão focada nos preparativos do quarto do bebê e em seja lá o que estivesse acontecendo entre Alexander e mim que me esqueci completamente do ciclo lunar.

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