Ponto de vista de Ella.
— Merda, merda, merda. — Alexander resmungava, correndo para pegar alguns panos no armário de suprimentos.
Deixei minha sacola e a peça do berço sobre a cômoda e corri para ajudá-lo.
— Não se preocupe com isso. É só tinta.
Mas a tinta parecia ter vida própria. Poucos momentos após derramar, de alguma forma ela já tinha se espalhado por metade do quarto e começado a se infiltrar na madeira do piso.
Passamos os vinte minutos seguintes tentando limpar a bagunça, mas de alguma forma só pioramos as coisas. Toda vez que achávamos que tínhamos o controle da situação, mais tinta parecia surgir. Alexander pisou nela sem querer e deixou pegadas verdes por metade do cômodo. Ajoelhei para esfregar um ponto particularmente difícil e consegui encher as mangas da minha camisa de tinta.
— Isso é inútil. Vamos precisar de profissionais. — Disse com um suspiro, limpando o suor da testa, o que só serviu para lambuzar ainda mais tinta pela minha cabeça.
— Ou podemos simplesmente dizer a todos que o quarto do bebê tem uma instalação de arte moderna. — Disse Alexander, gesticulando para os respingos abstratos de verde que agora decoravam as paredes e o chão.
Não pude evitar. Dei uma risada curta, depois comecei a rir pra valer e, uma vez que comecei, não consegui parar. Talvez fosse o estresse de tudo o que acontecera recentemente, ou talvez fosse apenas o absurdo da situação, mas algo em tudo aquilo me pareceu absolutamente hilário.
— O que é tão engraçado? — Alexander inclinou a cabeça.
— Você. Você está horrível. — Disse eu, enxugando as lágrimas dos olhos. Gesticulei fracamente para ele.
As pontas das orelhas de Alexander ficaram vermelhas.
— Ei! Eu não posso estar tão mal assim! — Mas quando ele olhou para si mesmo e viu suas roupas e pele cobertas de tinta, seus ombros caíram em derrota.
— É, bem, você não tem muito moral para falar. Tem tinta verde no seu cabelo.
Levei a mão ao cabelo e, com certeza, meus dedos saíram pegajosos.
— Porra. Como é que isso foi parar aí?
— Culpe o processo artístico. — Disse Alexander, com um dos cantos da boca se erguendo.
Dei outra risadinha. Tudo parecia mais engraçado do que deveria. O cheiro da tinta estava bem forte no quarto fechado, e eu estava começando a me sentir um pouco tonta.
— Sabe — disse eu, engatinhando para mais perto de onde Alexander estava agachado ao lado do balde tombado —, você é até meio atraente quando está coberto de tinta.
Alexander ergueu uma sobrancelha.
— É mesmo?
— Muito rústico. Como um pedreiro sexy. — Estiquei a mão e toquei sua bochecha, deixando uma pequena marca verde.
— Pronto. Agora você está perfeito.
— Ella, você está se sentindo bem?

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