Ponto de vsta de Ella.
Planejar um encontro acabou se mostrando muito mais complicado do que eu esperava.
Nos dois dias seguintes, me peguei esgueirando pela mansão sempre que Alexander estava fora — o que era a maior parte do tempo. Ele frequentemente estava tão atolado nos deveres de Rei Alfa que provavelmente não teria notado meus preparativos mesmo se estivesse em casa.
Estranhamente, foi até divertido no começo organizar tudo aquilo. Tentei não pensar se Alexander iria querer ou não, focando apenas no aspecto criativo de garantir que tudo saísse perfeito.
Mas toda vez que eu achava que tinha tudo sob controle, percebia que havia algo mais que eu não sabia sobre meu próprio marido, e a diversão começou a dar lugar à frustração.
Comecei pelo mais fácil: a comida. Tive que questionar a cozinheira para descobrir do que Alexander gostava. Descobri que ele preferia coisas simples — carnes grelhadas, pão fresco, nada sofisticado demais. Eu dava conta disso. Passei aquela mesma tarde na cozinha com a cozinheira, aprendendo a fazer o sanduíche favorito dele: rosbife, queijo cheddar curado, mostarda e nada de maionese.
Depois vieram os cobertores e travesseiros. Revirei o armário de roupas de cama até encontrar os mais macios que tínhamos, e então passei tempo demais tentando descobrir quais pareceriam românticos sem ser óbvios demais. Nós sequer tínhamos cobertores românticos. Que porra isso devia significar?
Lilith, que estava sentada na borda da cama me observando lamentar sobre as almofadas, soltou uma risada baixa.
— Você está mais empolgada com isso do que eu esperava.
Dei de ombros e joguei uma almofada de canto.
— Quero que seja perfeito.
Lilith inclinou a cabeça. Pude sentir sua curiosidade, embora tenha agradecido por ela não ter pressionado o assunto.
Toda vez que olhava para ela, eu ainda não conseguia evitar pensar nas evidências que tinham sido deixadas no banheiro durante a coroação. Lilith me disse que não deixou o bilhete nem o envelope, o que indicava que devia ter sido outra pessoa.
Mas quem? E por quê? Alexander mencionou que Gabriel foi rebaixado por negligência, então teria sido ele? Ou foi outra pessoa?
Balancei a cabeça, afastando esses pensamentos ao desviar o olhar. Não, agora não era hora para pensar em conspirações. Eu tinha um encontro para planejar e um marido cuja confiança eu queria conquistar.
O que significava que, por enquanto, travesseiros e cobertores tinham que ser a prioridade.
Finalmente, decidi escolher um cobertor de lã grosso que nos manteria aquecidos e dois travesseiros de plumas. Nada extravagante, mas confortável. Só precisava ser agradável o suficiente para nos deitarmos sob as estrelas.
Então passei para as velas. Alexander parecia o tipo de homem que apreciaria um aroma de pinho ou cedro, não de flores. Encontrei alguns aromas agradáveis e sutis e os adicionei à cesta de suprimentos que só crescia.
No terceiro dia, o dia da lua cheia, eu estava me sentindo bastante confiante com meu progresso. Já tinha a comida resolvida, a atmosfera planejada e escolhera um lugar na floresta atrás da mansão.
Mas então percebi que não tinha ideia de qual música levar.
O estalo veio enquanto eu estava sentada no nosso quarto montando uma playlist: eu não tinha absolutamente nenhuma ideia de que tipo de música Alexander gostava.
Ele gostava de música clássica? Rock? Sertanejo? Jazz? Em nossos cinco anos de casamento, só o flragrei ouvindo música em raras ocasiões, e nunca por muito tempo. E quando ouvia, geralmente era com fones de ouvido.
Isso era vergonhoso pra caralho. Que tipo de esposa não sabia de que tipo de música o marido gostava?

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