Ponto de vista de Alexander.
Gabriel invadiu meu escritório na manhã seguinte sem ao menos bater. No segundo em que a porta se fechou atrás dele, ele se virou para mim, o rosto contorcido de fúria.
— Você ficou maluco porra? — Rosnou ele.
Lentamente, ergui os olhos dos relatórios orçamentários que estava revisando.
— Bom dia para você também, Gabriel. O que deixou você tão irritadinho hoje?
— Você contou tudo a ela. Você contou à Ella sobre a investigação. Sobre o pai dela. Sobre tudo. — O rosto de Gabriel estava carmesim de raiva.
— Sim, contei.
— Você tem ideia do que fez? Anos de trabalho, Alexander. Anos de planejamento cuidadoso e vigilância, e você simplesmente entregou tudo de bandeja para o inimigo.
Pousei minha caneta cuidadosamente e me reclinei na cadeira.
— Ela não é o inimigo.
— Como você pode ter certeza disso?
— Porque ela é minha companheira. Minha esposa. A mãe do meu filho. — Levantei-me e segurei a borda da mesa com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos.
— E porque eu escolhi confiar nela.
— Confiar nela? Baseado em quê? Em sexo?
Meu lobo erriçou-se diante da indignação dele, mas lutei para manter o controle. Por enquanto, pelo menos.
— Baseado no fato de que ela se ofereceu para me ajudar a derrubar o próprio pai no momento em que descobriu tudo.
— O que pode ser parte do plano! Você não enxerga isso? — Gabriel avançou em minha direção e fincou o dedo no centro do meu peito, fazendo meu lobo rosnar.
— Isso tudo pode ser uma armação. Ela é pega com as evidências, se faz de vítima inocente, ganha sua simpatia e agora está perfeitamente posicionada para passar informações de volta para Stormhollow.
Gabriel não estava inteiramente errado, mas eu me lembrava da noite anterior muito bem. O rosto de Ella quando encontrou as provas, seguido pelo olhar de dor em seus olhos quando expliquei tudo. A menos que ela fosse uma atriz fenomenal, eu não conseguia imaginar que estivesse mentindo.
— Você não a viu, Gabriel. Não ouviu o que ela disse.
— Não preciso ver. Eu sei como esse tipo de gente age. — Gabriel apertou a ponte do nariz e fechou os olhos em sinal de exasperação.
— Alexander, você está deixando seus sentimentos cegarem seu julgamento. De novo.

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