Ponto de vista de Ella.
Quando Alexander e eu entramos de volta no salão de festas juntos, me preparei para os olhares e sussurros. Mas a maioria das pessoas já estavam cheias demais de champanhe para se importar com onde tínhamos estado.
Alexander virou-se para mim assim que entramos.
— Se você preferir ir para casa—
— Não. Nós deveríamos ficar. — Consegui um pequeno sorriso, ainda abalada com tudo, mas sem vontade de deixar a noite ser completamente arruinada. Especialmente se meu pai realmente fizera tudo de que Alexander o acusava, eu não queria dar esse gosto a ele.
Alexander hesitou por um momento, mas depois assentiu. Pela meia hora seguinte, abrimos caminho cuidadosamente entre o restante dos convidados, parando ocasionalmente para conversar com outros Alfas, Lunas e vários delegados de alcateias de todos os territórios.
Depois de um tempo, porém, cansei-me de socializar e me afastei discretamente para respirar um pouco. Eu estava perto da mesa de sobremesas, examinando os petit fours e doces restantes, quando ouvi uma voz familiar atrás de mim.
— Aí está você.
Virei-me para ver Liam se aproximando com duas taças de sidra sem álcool. Ele me entregou uma e tomou um gole da dele.
— Eu estava me perguntando para onde você tinha ido. Tudo bem? — Disse ele
Lancei um olhar na direção de Alexander, que ainda estava mergulhado em uma conversa com o Alfa.
— Sim. Está tudo bem agora.
Liam estudou meu rosto.
— Você tem certeza disso? Parece que passou por um pesadelo.
Lancei-lhe um olhar feio, embora sem raiva real. Liam ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Você está fantástica. Eu só quero dizer... seus olhos. Você parece um pouco cansada.
— Não vou mentir. Foi um dia longo. — Tomei um gole da sidra. Era doce e efervescente sem ter álcool, exatamente o que eu precisava agora. Se não estivesse grávida, teria preferido muito mais tomar champanhe de verdade para suavizar o impacto do que acabara de descobrir.
— Mas... estou bem. Surpreendentemente.
— Fico feliz em ouvir isso. Você parece diferente ultimamente.
— Diferente como?
— Mais feliz. Mais confiante. É bom ver você assim depois de tudo o que passou. — Liam sorriu.
Mais feliz? Pensei na conversa que acabara de ter com Alexander. Senti-me como se tivesse sido atingida por um trem de carga, mas supus que talvez estivesse mais feliz. Mais feliz porque, em vez de nos odiarmos ou nos escondermos da verdade, tínhamos finalmente conversado sobre algo para variar.
E talvez eu estivesse mais confiante também. A Ella de seis ou sete meses atrás jamais enfrentaria Alexander exigindo respostas como eu fiz. Ela provavelmente teria escondido sua dor e deixado que ele a acusasse de ser uma espiã.
— Mas — continuou Liam —, percebo que há algo na sua cabeça. Entendo se não quiser falar sobre seja lá o que for, mas—
— Na verdade — interrompi-o —, eu quero te contar.
Nos minutos seguintes, contei a Liam tudo o que descobri. Seus olhos azuis se arregalaram cada vez mais conforme escutava e, quando terminei, ele ficou sem palavras por um longo tempo.
Finalmente, conseguiu dizer:
— Então, qual é o seu próximo passo em tudo isso? Você vai confrontar seu pai?
— Não sei. Tudo o que sei é que cansei de ser a filha perfeita. A Luna perfeita. A pessoa perfeita em qualquer coisa, na verdade. — Acariciei minha barriga de forma distraída.
— Tenho minha própria família para pensar agora.
— Essa é a Ella de quem me lembro de quando éramos crianças. — Disse Liam.
— Antes de todo o treinamento de Luna e das expectativas. Você costumava ser destemida.
— Eu costumava ser estúpida.
— É a mesma coisa, às vezes.
Nós dois rimos disso.
— Tenho que te agradecer por ter me incentivado a ser mais aventureira. A pensar no que eu realmente queria, em vez de apenas existir no espaço que as outras pessoas criavam para mim. — Disse eu após um momento.

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