Ponto de vista de Ella.
O restaurante era aconchegante e aquecido, com uma iluminação suave que tornava tudo íntimo e confortável. Conseguimos uma mesa perto da janela, de onde eu podia ver as pessoas passando pela rua lá fora, rindo, de mãos dadas e balançando suas sacolas de compras.
Famílias e casais de verdade.
— Desculpe, não quis ser enxerida sobre o seu passado. Foi rude da minha parte. — disse eu a Lilith assim que fizemos nossos pedidos.
Lilith balançou a cabeça.
— Não é que eu não queira falar sobre isso. É que é complicado.
Esperei, sem querer pressionar de novo, mas esperando que ela continuasse.
— A verdade é — disse ela, olhando para as próprias mãos — que eu realmente vejo você como uma filha. Mais do que isso, na verdade. Você é uma filha para mim, Ella. A filha que eu nunca pude criar. — Ela fungou e hesitou por um longo momento antes de sussurrar:
— Eu tive uma filha. Uma garotinha.
Minhas sobrancelhas se ergueram. Aquela era a primeira vez que eu ouvia falar que a Lilith tivera uma filha. Eu sempre tive curiosidade, mas ela nunca tinha mencionado ter uma filha, nem uma única vez. Se dependesse do que eu sabia, pensava que ela simplesmente nunca tinha se casado ou tido filhos.
— Aconteceu alguma coisa com ela? — Perguntei, temendo a resposta.
— Ela está viva. Está viva e bem, ela só não sabe sobre mim. — Disse Lilith rapidamente.
Franzi a testa.
— Como assim?
— Ela não me vê desde que era um bebê. Tinha menos de um ano. — Lilith suspirou e prendeu uma mecha de cabelo prateado atrás da orelha.
— Mas eu tenho vigiado a vida dela, sem que ela saiba, todos esses anos. Garantindo que ela esteja segura, garantindo que esteja feliz. — Ela soltou uma risada amarga.
— Embora, às vezes, eu ache que não fiz o melhor trabalho do mundo com isso.
— Então você a acompanha, mas ela não sabe que você está por perto?
Lilith assentiu com tristeza.

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