A chegada do garçom interrompeu o que quer que Lilith estivesse prestes a dizer. Mas quando ele se afastou e eu perguntei o que ela ia me falar, ela apenas acenou com a mão e disse que tinha esquecido. Encarei aquilo como um sinal de que eu tinha esgotado o assunto e que, o que quer que ela ainda tivesse a dizer, diria no seu próprio tempo.
Depois disso, passamos a meia hora seguinte conversando sobre coisas mais leves — as lojas que tínhamos visitado, os planos para a próxima semana, qualquer coisa que desse a nós duas a chance de nos recuperarmos daquela conversa tão densa.
Eu estava na metade da minha refeição quando o nosso garçom se aproximou com um coquetel em sua bandeja.
— Com licença, senhorita. Cortesia do cavalheiro no bar. — Disse ele, pousando a taça na minha frente.
Olhei na direção indicada e vi um homem sentado sozinho, erguendo seu próprio copo na minha direção. Ele parecia estar na casa dos trinta anos, era razoavelmente atraente, tinha cabelos escuros e um sorriso amigável de lábios fechados.
Meu primeiro instinto foi recusar. Eu era casada, afinal de contas, mesmo que fosse um casamento de fachada. E eu não tinha o hábito de aceitar bebidas de estranhos.
Mas então pensei em tudo o que vinha acontecendo ultimamente. Eu estava morrendo, potencialmente ainda mais rápido do que esperava no início, com a porra de vinte e dois anos de idade, e tinha passado os últimos cinco anos da minha vida vivendo como uma freira, seguindo todas as regras, sendo a esposa Luna perfeita enquanto meu marido me ignorava completamente.
Quantas experiências normais eu tinha perdido por estar tão focada em ser correta? Quantos prazeres simples eu tinha negado a mim mesma?
Aceitar a bebida de um estranho bonito era algo que a maioria das mulheres da minha idade já tinha experimentado pelo menos uma vez. Era uma pequena emoção, uma mini rebeldia, um momento para me sentir desejada por alguém que não era obrigado a fingir que me queria por razões políticas.
Eu provavelmente estaria morta em alguns meses de qualquer forma. Qual era o mal em experimentar uma única coisa normal?
— Obrigada. — Disse ao garçom, pegando a taça. Parecia algum tipo de coquetel de frutas, rosa e com uma aparência doce. O ergui na direção do homem no bar e sorri.
Ele retribuiu o sorriso com um aceno de cabeça e voltou a prestar atenção em sua bebida.

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