Erasmo deixou o trabalho de lado e voltou o olhar para Clarice.
Kátia não conhecia Orlando muito bem, apenas o tinha visto no leilão do dia anterior.
Clarice levantou-se e dirigiu-se a Erasmo: — Vou lá fora dar uma olhada.
— Se precisar de algo, me chame — respondeu Erasmo.
Clarice assentiu, abriu a porta do quarto e saiu.
Orlando ainda tentava explicar o motivo de sua visita aos seguranças na porta, mas ninguém lhe dava ouvidos.
Ao verem Clarice sair, os dois homens na porta acenaram com a cabeça para ela em um gesto de profundo respeito.
— O que você está fazendo aqui? — questionou Orlando, surpreso ao ver Clarice sair do quarto e notar a forma cortês como os homens a tratavam.
Clarice abaixou o olhar e notou que Orlando e Melissa seguravam várias sacolas.
Ela riu com desdém em pensamento. Estavam ali para entregar presentes e tentar ganhar favores? No entanto, aqueles agrados pareciam um tanto medíocres.
— Você é idiota? — disparou Clarice, erguendo o olhar e encarando Orlando com total desprezo. — Eu não acabei de dizer que, graças à sua queridinha Melissa, estou aqui cuidando do Sr. Alves?
— Você me chamou de idiota? Clarice, você está passando dos limites.
— Mas não tenho tempo para discutir com você hoje. Vim ver o Sr. Alves. Diga para eles me deixarem passar.
A convicção e o tom autoritário, como se fosse o dono da razão, eram de deixar qualquer um sem palavras.
Clarice revirou os olhos. Como nunca havia percebido antes o quanto Orlando era prepotente e sem noção?
Ele tentou entrar com as sacolas, mas foi barrado novamente.
Orlando também se irritou. Afinal, ele era o presidente do Grupo Carneiro, e ser impedido de passar repetidas vezes já estava esgotando sua paciência.
No entanto, estando sozinho, não tinha como medir forças com os dois brutamontes na porta.
Então, ele voltou sua frustração para Clarice.
Clarice sorriu de canto ao ver Orlando engolir a seco sem ousar fazer um escândalo, e foi justamente esse sorriso que pareceu provocá-lo ainda mais.
Ela havia passado cinco anos correndo atrás dele, sempre uma figura solitária.
Como era possível que, pouco mais de quinze dias após deixá-lo, ela já tivesse conhecido e se aliado a tantas pessoas de status e influência?
Após ver Kátia partir, Clarice estava prestes a voltar para o quarto, mas teve o pulso agarrado por Melissa.
— Clarice, o erro foi todo meu. Se quiser culpar ou odiar alguém, que seja apenas a mim — implorou Melissa. — Orlando só quer ver o Sr. Alves. Por favor, deixe-o entrar.
— Afinal, somos todos da Família Carneiro. Você ama tanto o Orlando, deveria pensar no futuro dele.
Dessa vez, Orlando não disse nada, mas seu orgulho estava visivelmente ferido.
— E não é você quem está destruindo o futuro dele? — disparou Clarice, desvencilhando-se da mão de Melissa. — Ouvi dizer que o rapaz lá embaixo vai acordar hoje à noite. Melissa, você já se preparou para ser processada?
O solavanco fez Melissa cambalear, e Orlando prontamente a amparou.
No entanto, ao ouvir as palavras de Clarice sobre o despertar na mesma noite, a mente de Melissa entrou em colapso.

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