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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 92

No fim das contas, Orlando não conseguiu entrar no quarto, e ainda teve que ouvir Clarice cobrando novamente a oficialização do divórcio.

Orlando ficou tão furioso que chutou a lixeira mais próxima, quase levando uma surra dos seguranças na porta.

Melissa, por sua vez, seguia atrás de Orlando, um tanto alheia e desconcentrada.

Os dois desapareceram no fim do corredor, deixando para trás os presentes que Orlando havia largado na porta.

Clarice observou a cena por um momento antes de voltar para o quarto, instruindo os seguranças a levarem tudo para o posto de enfermagem.

Erasmo já havia saído da cama e se movia com dificuldade, pequenas gotas de suor brilhando em sua testa.

— Por que você levantou? Me diga o que precisa, eu ajudo você — disse Clarice, correndo para ampará-lo.

Ela segurou o braço de Erasmo. Ele havia se ferido na perna e, embora não houvesse fratura, seus movimentos estavam bastante limitados.

Sem cerimônia, Erasmo apoiou todo o peso do corpo sobre ela.

— Bebi muita água, preciso ir ao banheiro — explicou ele.

— Ah! Então vou chamar o enfermeiro — deixou escapar Clarice.

— Estou apertado — retrucou Erasmo.

Isso fez Clarice desistir da ideia de chamar ajuda. Erasmo era realmente pesado, e ela teve que cerrar os dentes para conseguir levá-lo com muito custo até o banheiro.

— Segure-se na barra, me chame quando terminar — instruiu Clarice.

Ela estava prestes a se virar e sair, quando Erasmo falou, com um tom sutilmente manhoso.

— Clarice, você quer que eu faça nas calças?

— Então... eu seguro você, e você abaixa a calça — gaguejou ela.

Erasmo assentiu, e Clarice voltou para segurá-lo com as duas mãos sob as axilas.

O ar ficou subitamente silencioso, aguçando ainda mais a audição.

O som do cinto sendo desabotoado pareceu ecoar com clareza demais no silêncio, como se cada movimento estivesse acontecendo dentro da mente de Clarice.

O coração de Clarice deu um salto inexplicável. O que estava acontecendo com ela? Como poderia sentir algum tipo de desejo pelo corpo daquele homem?

Estava perdida. Só podia ser um problema hormonal. Quando foi ao ginecologista buscar o atestado, deveria ter perguntado ao médico sobre isso.

O tempo parecia ter parado.

E, como se tratava de um homem e uma mulher, o risco de mal-entendidos era inevitável.

Adelina apenas murmurou um "ah" e não deu importância, mas Leandro Neves fixou o olhar na porta do banheiro, mergulhado em pensamentos.

Não conseguia andar direito? Muito apertado?

Como era possível que um homem capaz de levar um tiro na coxa sem nem mudar de expressão precisasse de ajuda para ir ao banheiro por causa de um machucado leve?

E estaria mesmo tão apertado a ponto de não poder chamar os seguranças da porta?

— Sr. Neves, por favor, sente-se. Há algum motivo especial para essa visita surpresa? — perguntou Clarice, esboçando um sorriso educado.

Antes que Leandro Neves pudesse responder, Adelina tomou a frente.

— Que motivo ele teria? Só veio bajular o Erasmo e tentar ganhar moral com ele — alfinetou Adelina, lançando um olhar fulminante para Leandro.

Clarice estranhou. Leandro Neves bajulando Erasmo? Pelo que sabia, não parecia ser o caso.

— Falar assim fere os meus sentimentos, Adelina — rebateu Leandro Neves com um leve sorriso.

— Afinal, sou parte da nova elite da capital. Posso não ter a mesma influência esmagadora da Família Alves, mas não chego ao ponto de precisar bajular ninguém.

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