O quê? Acidentou o Erasmo? Como é que o Erasmo foi parar nessa história?
Quando viu Clarice sã e salva hoje, ela presumiu que aquele inútil tinha falhado no serviço, machucando a si mesmo em vez de atingir o alvo.
Pelo jeito, o Erasmo havia salvado a Clarice.
Ela estava arruinada. Se o Erasmo descobrisse que ela foi a mandante do crime, como seria a sua vida?
Por sorte, o acidente tinha sido grave e ele ainda estava inconsciente, o que lhe daria tempo para resolver o problema.
A questão era que Clarice, sem prova alguma, já havia apontado o dedo para ela diante de Orlando.
Estava claro que a intenção era jogar toda a culpa nela e fazer com que o próprio Orlando a investigasse.
O silêncio prolongado de Melissa fez a voz de Orlando ficar ainda mais fria.
— Foi você mesma? Melissa, você enlouqueceu de vez? Você tem noção do tamanho do problema que isso vai me causar?
A reprimenda severa de Orlando trouxe Melissa de volta à realidade, e ela tentou se explicar às pressas:
— Como eu seria capaz de algo assim? Eu não sou burra a ponto de mexer com o Presidente Alves. Tudo isso deve ser um grande mal-entendido. Você não acredita em mim? Por você e pela Família Carneiro, eu seria capaz de abrir mão de qualquer coisa. Jamais faria algo para colocar você em perigo.
Enquanto falava, lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, interpretando perfeitamente o papel de uma mulher injustiçada tentando se manter forte.
Vendo a reação de Melissa, a expressão de Orlando suavizou. Afinal, era a mulher por quem ele fora apaixonado por anos.
Ele ainda confiava nela e acreditava que ela não seria capaz de mentir para ele.
Orlando aproximou-se e abraçou-a pelos ombros.
— Tudo bem. Não chore mais. Se você não tem nada a ver com isso, não deixarei que nada lhe aconteça.
Melissa fungou, entre lágrimas:
— Se você acreditar em mim, já basta. O que mais me machuca é pensar que nunca mais verei você. Meu coração dói só de imaginar. Orlando, eu te amo tanto... Amo você a ponto de perder a minha própria identidade.
Melissa jogou-se nos braços de Orlando, derramando juras de amor.
Kátia pegou a papelada e passou os olhos rapidamente. Apesar de não entender os valores médicos, notou uma infinidade de setas vermelhas indicando anomalias.
Clarice sentou-se ao seu lado e instruiu:
— Diga a eles que o Presidente Alves exigiu esses exames pré-nupciais. Os resultados são péssimos, o que indica que uma cirurgia nesse momento seria, no mínimo, um desastre. Você também vai dizer para a Ximena que ele fez questão de que você fosse internada para se tratar, e que se não se recuperar, o casamento não vai acontecer. Ela não ousará ser contra isso.
Kátia assentiu e lançou um olhar para o homem na cama, que estava profundamente concentrado em seu trabalho.
Erasmo não tirava os olhos dos papéis e não parecia ter qualquer intenção de se envolver na conversa.
Kátia olhou a hora e pensou que já era momento de levar os laudos à Família Faria.
De repente, vozes altas soaram do lado de fora do quarto.
Os três olharam simultaneamente para a porta e, através do vidro, puderam ver quem chegava.
Ao reconhecer Orlando, Clarice arqueou uma das sobrancelhas.

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