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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 128

— Erasmo, estou com fome. — disse Clarice, recolhendo as pernas e tentando mudar de assunto.

— Está bem, vamos comer. — respondeu Erasmo, soltando um riso leve.

Ele tentou apoiá-la, mas ela suportou a dor e seguiu em frente sozinha.

Ao ficar parado observando-a, o olhar de Erasmo escureceu.

A refeição transcorreu num silêncio assustador. A expressão dele continuava a mesma, mas ela passou o tempo todo de cabeça baixa, sem coragem para encarar seus olhos.

Com a mente confusa, ela brincava distraidamente com as mãos. Ao notar o anel em seu dedo, paralisou.

Aquele não era o anel de noivado que havia sido escolhido no dia anterior? Como tinha ido parar em sua mão?

— Erasmo, o que significa isso? — perguntou Clarice, levantando o olhar.

Erasmo pousou os talheres, limpou a boca com um guardanapo e fitou a mão dela, falando com total naturalidade.

— É um anel. Qual é o problema? — perguntou Erasmo.

— Este é o anel de noivado da Kátia, não é meu. — afirmou Clarice, abaixando a mão.

Quando fez o gesto para retirá-lo, as mãos grandes dele a impediram.

— Não tire. Clarice, você ainda não entendeu? Desde o início, a única mulher que eu queria como esposa era você. — ordenou Erasmo.

Surpresa, ela o encarou, e ele continuou a falar:

— Nunca a vi como uma irmã, e nós não somos irmãos. — continuou Erasmo.

— Mas a mamãe adotou você... — argumentou ela.

— Alguma vez eu chamei a tia Oceana de mãe? — questionou Erasmo.

Ela balançou a cabeça em negativa. De fato, ele nunca a chamara assim. Certa vez, quando a mãe sugeriu registrá-lo formalmente na família, Erasmo se recusou.

— Clarice, eu estive esperando você crescer. Estive esperando que a minha pequena mulher crescesse para se casar comigo. — confessou Erasmo.

— Mas você não tinha um grande amor? Não foi por isso que você foi para o exterior? — perguntou ela, estupefata.

— Isso foi porque uma garotinha ingrata cismou de arrumar um namorado e jurou que só se casaria com ele. Clarice, eu não podia suportar ver você feliz com outra pessoa, muito menos ver você usando um vestido de noiva para outro homem. Isso iria me enlouquecer. — explicou ele.

Finalmente, Erasmo havia revelado o segredo que escondera no coração por tantos anos.

Como Erasmo poderia não ser um bom partido? Tanto em termos de família quanto de aparência, ele era excepcional.

O físico e o vigor dele também eram indiscutíveis.

Era impossível um homem como ele não ser atraente e perfeito!

Contudo, aquela mudança repentina na relação os deixava em uma situação que ela ainda lutava para assimilar.

Ela precisava de tempo.

Principalmente depois das palavras que ele acabara de dizer; havia um certo tom de algo planejado há muito tempo.

— Erasmo, você pode me dar um tempo? — murmurou Clarice timidamente, abaixando a cabeça.

Precisava pensar com calma. Além disso, considerando as circunstâncias atuais, ficar juntos seria cercado de desafios e dificuldades.

A Família Adriel não a incomodava, mas ninguém na Família Alves estava disposto a aceitá-la.

Se ele se opusesse abertamente à Família Alves por causa dela, não estaria correndo o risco de ser atacado por todos os lados?

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