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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 129

Ela compreendia perfeitamente a importância que tinha no coração de Erasmo e não queria se tornar a sua fraqueza.

— Tudo bem, temos todo o tempo do mundo. — concordou Erasmo de imediato, percebendo que Clarice havia cedido um pouco.

O relógio marcava sete da noite quando Clarice acompanhou Erasmo até a Vila de Alves.

Desta vez não havia tanta gente presente, apenas a família de Ezequiel.

Sentado no lugar de honra na sala de estar, Ezequiel franziu a testa ao vê-los entrar e murmurou secamente para que se sentassem.

Ela percebeu a insatisfação dele com a sua presença. No entanto, sua posição exigia que mantivesse a educação, impedindo que agisse de forma ríspida.

— Queria falar comigo? — foi direto ao ponto Erasmo. Clarice, sem se importar com a hostilidade do ambiente, havia se acomodado elegantemente ao seu lado.

— Não posso procurá-lo sem um motivo? Você é meu filho; preciso de uma desculpa para mandar chamá-lo à sua própria casa? — retrucou Ezequiel, após tomar um gole de chá.

Era uma justificativa frágil. Nenhum dos dois era ingênuo a esse ponto, e a única resposta de Erasmo foi um sorriso frio.

Mas havia quem acreditasse cegamente nessas palavras, como era o caso de Elisa.

Elisa trouxe uma bandeja de frutas e sorriu de forma acolhedora para Erasmo.

— Erasmo, coma algumas frutas, são todas as suas favoritas. — ofereceu Elisa.

Ele não moveu um músculo. Clarice baixou o olhar e, ao notar pedaços de manga misturados às outras frutas, suas belas sobrancelhas se franziram.

Erasmo era alérgico a manga. Ela se lembrava bem de quando ele recém-chegara à sua casa e ela lhe servira daquela fruta.

Ninguém sabia disso na época, nem o próprio Erasmo.

Aquele incidente quase custara a vida dele, deixando-a apavorada.

As demais frutas também não eram as favoritas de Erasmo.

Diante da imobilidade do rapaz, Elisa pareceu confusa.

— Não gostou, Erasmo? Escolhi especialmente para você. Lembro que adorava quando era pequeno. — disse ela.

Elisa espetou um pedaço com o garfo e, por acaso, era um cubo de manga.

Como a matriarca da família ainda não havia mandado chamá-la, ela resolveu esperar ali mesmo.

Assim que os dois homens se distanciaram, Elisa voltou-se para ela, visivelmente contrariada.

— Você não tinha voltado para a Família Adriel? Por que ainda está grudada no Erasmo? Ele é um homem comprometido, a data do casamento está prestes a ser marcada. Uma mulher divorciada acompanhá-lo por aí é muito inadequado, não acha? Você tem ideia dos problemas que a sua presença vai trazer para a vida dele?

Engolindo o último pedaço de manga, Clarice repousou o garfo no prato e levantou o rosto, fixando o olhar na mulher à sua frente.

Seus olhos mostravam uma apatia gélida, destituída de qualquer sentimento.

— Tia Elisa, se a senhora não fosse a mãe do Erasmo, eu não seria tão gentil. Dada a sua posição nesta casa, não tem nenhum direito de me dar lições de moral. — retrucou Clarice.

O fato de Elisa ser de origem humilde e ter um papel secundário na família era uma ferida aberta, mas não deixava de ser verdade.

Ela não tinha argumentos para rebater aquilo.

— Eu só estou pensando no futuro dele. Já lhe disse que você só vai lhe causar problemas. — defendeu-se Elisa.

— Pensando no bem dele? — desdenhou Clarice. — Nós nos encontramos apenas duas vezes, e a frase que mais ouvi foi sobre o bem que quer a ele. Mas será que faz isso apenas por ele? Se fosse assim, como não sabia que ele é alérgico a manga? Você nem sequer se importa com os gostos dele, a ponto de confundi-los completamente. E agora tem coragem de dizer que quer o bem dele?

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