Enquanto pensava nisso, a porta do escritório foi aberta com um estrondo ensurdecedor.
Adelina irrompeu furiosa pela sala, seguida por um Marcel completamente atordoado.
Assim que entrou, Adelina já começou a fuçar tudo pelos cantos. Marcel tentou dizer algo, mas foi paralisado por um único olhar de Leandro Neves.
Marcel recuou e teve o bom senso de fechar a porta.
Leandro Neves recostou-se totalmente na cadeira, observando a mulher revirar a sala inteira.
— O que você está fazendo?
Adelina fulminou-o com o olhar.
— Leandro Neves, cadê a mulher? Não tinha uma mulher que subiu direto com o seu cartão exclusivo do elevador? Onde ela está? Onde você a escondeu?
Leandro Neves não se mexeu nem mudou de expressão. Com um tom impassível, abriu a boca.
— Você vai controlar isso também? O que eu sou pra você?
Atingida por aquela pergunta, Adelina parou a busca, e o pouco de razão que lhe restava começou a voltar.
Era verdade. Ele não era nada dela. Que direito ela tinha de interrogá-lo?
Mesmo que ele tivesse outras mulheres, ela não tinha o direito de se intrometer.
E ela sempre soubera que Leandro Neves era um tremendo mulherengo.
Tinha passado a noite anterior com ela e hoje já tava trazendo outra pra empresa.
Ela havia sido cegada momentaneamente pelas fofocas que ouvira lá fora.
Toda a sua raiva se esvaiu, e os ombros caíram.
— Desculpa o incômodo.
Ela mesma já havia dito que não se envolveriam mais.
Vendo que Adelina estava prestes a sair, Leandro Neves levantou-se e a segurou.
— Você vem quando quer e vai quando quer. Adelina, o que você acha que eu sou?
Adelina manteve a cabeça baixa, os olhos terrivelmente avermelhados.
Foi ele que começou com isso. Por que é que só eu sofro?
Adelina ergueu o olhar de supetão, e as lágrimas rolaram sem aviso prévio.
Leandro Neves sentiu um leve pânico.
Ele não tinha medo de nada neste mundo, exceto das lágrimas de Adelina.
Quando ia estender a mão para secá-las, ouviu-se um baque surdo. Leandro Neves estava com a guarda baixa.
Levou uma joelhada em cheio no abdômen.
— Canalha! Isso é pra você aprender a parar de ser mulherengo e não vir mais me provocar! Eu acabo com você!
— Seria ótimo se eu te machucasse! Isso te ensinaria a não sair atrás de outras mulheres, a não... Hum!
Adelina foi silenciada por um beijo. Um beijo voraz e desordenado, claramente com um tom de punição.
Ela sentiu uma pontada de dor, e seus olhos ficaram ainda mais vermelhos.
Ao ver que ela parara de se debater, Leandro Neves interrompeu o beijo.
— Você realmente acha que sou um mulherengo incorrigível?
Adelina virou o rosto com os olhos banhados em lágrimas, recusando-se a olhar para ele.
Leandro Neves soltou um suspiro impotente e depositou um selinho suave nos lábios dela.
— A mulher de agora há pouco era a Clarice. Vai me dizer que está com ciúmes até dela?
Adelina fungou e piscou os olhos, parecendo incrivelmente adorável.
Leandro Neves não conseguiu resistir e abaixou a cabeça, beijando-a mais uma vez.
Após uma longa troca de carícias e amassos, Adelina derreteu-se completamente em seus braços.
— Pronto, não fique mais brava.
Os lábios de Adelina estavam ligeiramente inchados.
— Eu não estou brava. Fique com quem você quiser, o que isso tem a ver comigo?

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