As objeções vinham, para a surpresa dela, de dentro da própria empresa. No entanto, esses atores não pareciam ser aqueles que ela havia selecionado inicialmente.
Clarice entregou a lista para a Evelise.
— Por enquanto, ignore isso. Falaremos sobre o assunto quando eu voltar. E avisa também os atores que eu já tinha escolhido, pra eles irem ao teste de elenco no horário combinado.
— Tudo bem.
Depois de passar essas instruções, Clarice pensou em atualizar o Leandro Neves. Afinal, já tinham se passado alguns dias e, como diretora-geral do projeto, ela precisava prestar contas do andamento pro chefe.
Mas, assim que entrou no saguão, deu de cara com uma figura familiar.
Mesmo vendo-a só de costas, ela a reconheceria até de olhos fechados.
Melissa Gomes.
Ao lado dela estava um homem jovem, e os dois pareciam muito íntimos.
O homem segurava a cintura da mulher, enquanto ela cobria a boca, rindo com doçura, aninhada em seus braços.
Clarice apertou o passo, tentando ver quem era o homem e tirar uma foto.
Contudo, os dois já haviam entrado no elevador e ela não conseguiu alcançá-los.
Ela esperou diante das portas até que o elevador parasse no vigésimo sétimo andar.
Vigésimo sétimo andar, num elevador exclusivo... parecia ser um alto executivo da empresa.
A recepcionista não a conhecia e, ao vê-la parada olhando para o elevador, aproximou-se para perguntar.
— Senhorita, posso ajudá-la em algo?
Clarice saiu do transe e sorriu.
— Nada não. Tô procurando o seu Neves.
Ela tirou o cartão do elevador exclusivo de Leandro Neves.
Quando viu o cartão, a recepcionista ficou não só mais educada, mas quase reverente.
Ela mesma chamou o elevador para Clarice.
— Por favor, senhorita.
Clarice assentiu com um sorriso e entrou.
Assim que as portas se fecharam, a recepcionista saiu correndo pra fofocar. Mas, em menos de dez minutos, apareceu outra mulher deslumbrante.
Usava óculos escuros e exalava uma aura de celebridade.
Quando a recepcionista ia perguntar, viu que a bela mulher também segurava um cartão exclusivo.
Também do senhor Neves.
A recepcionista mais jovem ficou meio confusa, mas sabia que não podia comprar briga com nenhuma das duas.
Quando as portas se fecharam mais uma vez, a fofoqueira Kátia não aguentou mais.
Clarice não fez rodeios. Contou o que acabara de ver e aproveitou para mencionar que faria novos testes de elenco.
Leandro Neves bateu os dedos na mesa.
— Já que entreguei o projeto a você, você tem total responsabilidade. Se alguém não obedecer, eu resolvo.
Clarice levantou-se. Com aquela garantia de Leandro Neves, ela estava mais tranquila.
— Certo, então eu já vou.
Ela se virou para sair, mas, ao chegar à porta, parou e voltou-se para ele.
— Aliás, você vai voltar pra capital?
Leandro Neves ergueu os olhos.
— Pelo jeito, você tá torcendo bastante pra eu voltar.
Clarice deu um sorriso ladino.
— Fiquei sabendo que a Adelina voltou pra capital e que a família Alves tá armando um casamento de conveniência pra ela. Afinal, ela já não é nenhuma menina.
Depois de dizer isso, Clarice foi embora.
Leandro Neves estreitou levemente os olhos. Casamento arranjado?
Adelina Alves era a mulher dele. Casar-se com outro? Só em sonho.

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