Naquele instante, o celular de Jorge apitou com uma mensagem da equipe das autoridades que estava a caminho.
Eles já estavam perto, faltavam apenas cerca de dez minutos para chegarem.
Jorge e Laís se entreolharam, e ele fez rapidamente o sinal do "dez" com as mãos.
Compreendendo imediatamente, a determinação fincou raízes na alma de Laís:
— Zoraida, de forma alguma vamos permitir que a obra recomece.
A expressão de Zoraida enrijeceu com pura hostilidade:
— Muito bem, Laís. Vocês pediram por isso! Não me culpem depois!
— Atenção! Continuem jogando água! Joguem até eles saírem correndo!
Zoraida disparou a ordem de ataque mais uma vez.
Os funcionários, agarrados às mangueiras e com rostos repletos de constrangimento, não tiveram outra opção a não ser abrir as válvulas e borrifar violentamente na direção deles.
Laís e Jorge ficaram inteiramente ensopados em um instante.
Ao ver o fluxo pesado de água sendo disparado diretamente contra Laís, Jorge avançou, arremessando um soco no rosto do homem com a mangueira, tomando-a de suas mãos, e direcionando o jato torrencial diretamente para Zoraida.
Ela não previu, nem em seus piores sonhos, que a mangueira seria virada contra si.
Num segundo, o seu vestido ficou pregado à pele de tão encharcado e uma onda de fúria descontrolada tomou conta dela:
— Jorge Andrade, você pirou? Você... você pare agora mesmo!
Ao contrário da senilidade de Débora, Jorge era jovem e forte. Jamais se deixaria abater por aqueles trabalhadores.
Ele segurou a mangueira de alta pressão com força e, em pouco tempo, fez os homens recuarem tropeçando.
Então, Jorge fixou a mira em Zoraida, espirrando água torrencialmente, sem misericórdia.
Desnorteada pela forte pressão da água, o tecido do vestido de Zoraida começou a se rasgar, quase deixandoa exposta. Além disso, a fenda comprida que ia até a coxa ficou visível, chamando a atenção de todos os homens no canteiro de obras.
— Jorge! Para com isso! Para de espirrar água!
— Jorge, pare com isso!
A mão pálida de Felipe agarrou o pulso de Jorge firmemente e deu o aviso com uma voz ameaçadora.
Ao perceber a chegada dele, Jorge desligou a água e o encarou impassível:
— Que bom que chegou, assim não precisarei gastar minha saliva com a Zoraida.
— A obra de vocês já prejudicou significativamente a estrutura da Torre dos Ventos. Se algo acontecer, não terão como fugir da responsabilidade criminal. O meu conselho é o seguinte: parem tudo agora.
— Equipes conjuntas das autoridades de Marbella e Suzano já estão a caminho. Acalmem-se e esperem quietinhos, antes de tomarem atitudes precipitadas das quais se arrependerão amargamente.
Os ombros de Zoraida, trêmulos de frio, chocavam-se desgovernados.
Ver o estado degradante dela fez o rosto de Felipe franzir, que não hesitou em lançar o casaco do seu terno sobre os ombros de Zoraida.
Ele massageou levemente as próprias têmporas, seus olhos sombrios ocultando a torrente de estafa e aborrecimento que transbordava.

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