A multidão da imprensa finalmente se dispersou.
Zoraida parecia um galo derrotado, repleta de ressentimento, prestes a dar as costas e ir embora.
Mas, ao virar a cabeça e ver Felipe imóvel como uma estátua, com sua postura ereta e feições belas, seu coração não pôde evitar uma leve palpitação.
A aparência e o porte de Felipe eram o exato reflexo dos padrões estéticos dela.
Percebendo que faltava apenas um passo para se tornarem marido e mulher, Zoraida, no fim das contas, não se conformava em desistir.
Ela se aproximou, com o queixo levemente erguido, e falou com um tom de arrogância:
— Felipe, afinal, o que você vai fazer? Vai pegar a certidão ou não?
— Esta é a última chance que lhe dou. Pense bem, se passar de hoje, nunca mais...
— Vou!
Felipe repentinamente se decidiu, agarrou o braço de Zoraida e caminhou direto em direção ao Cartório de Registro Civil.
Naquele instante, sem pensar em nenhuma saída alternativa, ele segurou Zoraida como a única chance que ainda lhe restava.
Meia hora depois.
Os dois saíram lado a lado pela porta do Cartório de Registro Civil, cada qual segurando uma certidão de casamento.
O rosto de Zoraida transbordava doçura e alegria, mas o olhar de Felipe era vazio e apático; seu rosto estava sombrio, como quem ia para um destino trágico.
Zoraida se encostou afetuosamente no ombro dele e disse, com a voz melíflua:
— Felipe, vamos jantar na minha casa hoje à noite.
— Acabei de mandar uma foto da certidão de casamento para o meu pai. Ele disse para irmos, que quer falar conosco.
O rosto de Felipe estava impenetrável, sua voz ressoava fria:
— Certo.
Zoraida cutucou seu braço levemente:
— Nós já oficializamos a união, somos verdadeiramente marido e mulher. Hoje à noite... eu queria que você não fosse embora, ficasse na minha casa. Tudo bem?
Pelo canto do olho, Felipe notou inadvertidamente o rosto rubro e inchado dela, e o coração pesou um pouco.
— À noite, vou voltar para a Vila das Rosas. Esses próximos dias não são muito convenientes.
— Não são convenientes?
A menção fez Felipe lembrar repentinamente de Sofia, que acabara de ser espancada por Zoraida.
Instintivamente, olhou ao redor, mas não encontrou qualquer sinal de Sofia. A ansiedade infiltrou-se em sua voz:
— Zoraida, para onde a Sofia foi?
De uma forma ou de outra, Sofia continuava sendo como uma irmã para ele, e, por mais que errasse, ele jamais conseguiria ignorá-la por completo.
Zoraida virou o rosto, o descontentamento estampado nas feições:
— Não sei, provavelmente teve vergonha de ficar e deve ter se escondido em algum lugar.
— Felipe, deixa ela pra lá. Ela já é adulta, o que de pior pode acontecer?
— Meu pai ainda está nos esperando. Vamos rápido, ainda falta mais de uma hora para chegarmos a Suzano.
Zoraida puxou Felipe, dando-lhe as costas e se afastando.
Ninguém percebeu que, atrás de uma coluna de pedra pouco distante dali, havia uma mulher com cabelo desgrenhado e rosto manchado de sangue.
Ela fitava sem piscar a silhueta dos dois partindo, a angústia dilacerante e o desespero revoluteando no fundo de seus olhos.

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