— Olha só para a minha mãe e a sua, estão mais empolgadas do que nós mesmos, até parece que são elas que vão se casar hoje.
Laís Monteiro não pôde deixar de comentar baixinho.
Jorge Andrade corrigiu imediatamente, com doçura:
— Não é a minha mãe e a sua mãe, são as nossas mães.
— De agora em diante, não quero mais que você separe 'eu' de 'você', senão...
Laís ergueu o olhar e perguntou com um sorriso:
— Senão o quê?
Jorge deu um passo à frente, ergueu-a da cama sem dar tempo de reação e abraçou-a firmemente, com os olhos transbordando de um sorriso carinhoso:
— Senão, vou te beijar sem parar até você implorar por misericórdia.
Laís, assustada, cobriu a boca apressadamente:
— Não! Eu ainda não escovei os dentes!
Vendo-a tão fofa e agindo como se enfrentasse um grande perigo, a adoração de Jorge quase transbordou:
— Então eu te beijo depois que escovar os dentes.
— Vou te levar para o banheiro e colocar a pasta de dente para você.
Assim que terminou de falar, ele simplesmente girou sobre os calcanhares e caminhou até o banheiro, carregando Laís nos braços.
Ele a colocou no chão com delicadeza, arrumou cuidadosamente os chinelos dela, encheu um copo com água morna e colocou a pasta na escova.
Seus gestos eram tão naturais, rápidos e cheios de carinho, que pareciam um casal que já vivia junto há muito tempo, em total sintonia.
Laís pegou os itens de higiene com um sorriso, escovando os dentes e lavando o rosto sem pressa.
Quando terminaram e voltaram para o quarto, a cama já estava perfeitamente arrumada.
Sobre a colcha, repousavam silenciosamente um delicado vestido longo e branco, um véu simples e elegante, e um terno masculino novo e impecável.
As duas mães haviam se dedicado ao máximo para o dia do casamento civil deles.
Aqueles pequenos rituais e detalhes, nos quais o casal sequer havia pensado, foram silenciosamente providenciados pelas duas matriarcas, sem deixar passar nada.
— Oi!
As duas mães, achando que estavam sendo chamadas, responderam em voz alta e juntas, cheias de entusiasmo.
Diante dessa cena que aquecia o coração e era ao mesmo tempo cômica, Laís e Jorge trocaram um olhar e finalmente não conseguiram segurar a risada.
Após um rápido café da manhã, entraram no carro e partiram rumo ao Cartório de Registro Civil.
Lídia e Clara, inicialmente, insistiram em acompanhá-los, mas foram impedidas por um acordo mútuo entre os noivos.
O casal estava genuinamente preocupado que o excesso de entusiasmo das duas causasse alguma comoção na porta do cartório, o que os deixaria envergonhados.
O carro mal havia partido quando o celular de Jorge tocou de repente.
Do outro lado da linha, veio uma voz masculina clara:
— Senhor Andrade, o senhor vai ao Cartório de Registro Civil casar hoje, não é?
Jorge ficou momentaneamente surpreso e perguntou, um pouco confuso:
— Cinco, como você sabe disso?

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