Do outro lado.
Laís e Jorge, que momentos antes estavam prestes a mergulhar na paixão, viram todo o seu desejo se dissipar devido à súbita ligação de Sofia.
Com a noite avançando, os dois trocaram olhares e, como se estivessem em sintonia, deixaram escapar um sorriso resignado.
O silêncio noturno se tornava mais pesado, e as pálpebras de Laís já lutavam para se manterem abertas.
Jorge até pretendia continuar com as carícias e mimos, mas ao notar a exaustão inegável nos olhos dela, seu coração não permitiu.
— Vá dormir, Laís.
— Temos que estar no Cartório de Registro Civil logo cedo amanhã. Para o resto, teremos o tempo a nosso favor.
Laís já estava tão sonolenta que estava prestes a apagar em segundos.
O conselho suave de Jorge soou como um decreto real. Ela acomodou a cabeça no braço dele e, num piscar de olhos, caiu num sono profundo.
Jorge abaixou o olhar para o rosto sereno da garota, escutando a respiração compassada e suave em seu ouvido, enquanto um sorriso de afeto transbordava de seus olhos.
Quem diria que adormecer abraçado a quem se ama traria uma sensação de paz e felicidade tão reconfortantes.
Ele permaneceu longo tempo admirando o rosto de Laís; seu braço já formigava de dormência, mas lhe faltava coragem para retirá-lo debaixo da nuca dela.
O cansaço tentava dominá-lo em ondas, mas ele estava tão apegado àquela ternura que se recusava a fechar os olhos.
Fixava o olhar ininterruptamente na mulher em seus braços, como se nunca pudesse se saciar. No entanto, à medida que a observava, um fogo reprimido começou a brotar em seu peito, silenciosamente.
Por fim, incapaz de controlar os instintos avassaladores, ele se levantou, com o olhar carregado de desejo, e correu para o banheiro para tomar uma longa ducha fria, só assim conseguindo acalmar o fogo que queimava dentro do seu corpo.
Não havia pressa, havia muito tempo pela frente.
Após o dia de amanhã, Laís seria absoluta e irrevogavelmente sua.
Tinham o restante de uma vida inteira para partilhar, e todas aquelas intimidades delicadas poderiam ser feitas sem pressa, repetidamente e para sempre.
-
Na manhã seguinte.
— Não está cedo não, já são sete e meia da manhã.
— Vocês dois, não percam tempo, tomem um banho logo. Depois do café, partimos direto para o Cartório de Registro Civil, para assinar o papel na Hora propícia.
Com um largo sorriso, Lídia Lima colocou os Documentos de registro nas mãos de Jorge.
Jorge aceitou os documentos com as duas mãos e respondeu com um sorriso:
— Certo, mãe. Vamos nos levantar e nos arrumar.
Clara Campos também entregou seus Documentos de registro a ele, dando um leve tapinha em seu ombro:
— Vão logo se arrumar. Sua sogra e eu já compramos as roupas para a cerimônia há um bom tempo, e logo alguém vai trazer aqui em cima para vocês trocarem.
Após deixar tudo resolvido, Clara Campos e Lídia Lima desceram as escadas de mãos dadas, transbordando alegria.
Observando a pura e contagiante felicidade das mães, Jorge e Laís trocaram um olhar cúmplice e, em uníssono, deixaram escapar um sorriso afetuoso.

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