Na sua essência, Clara também era uma mulher agitada, que fazia as coisas assim que as decidia.
Ela pediu para Daniel levar a comida para o hospital e dirigiu direto para casa.
Ao chegar em casa, abriu o cofre, tirou de lá todas as joias de uma vez e separou os três conjuntos mais valiosos.
Desses três conjuntos de altíssima qualidade, um fazia parte de seu dote, outro havia sido um presente especial de Daniel pelo aniversário de dez anos de casamento, e o último era uma herança da família Andrade, da qual as três concunhadas haviam recebido uma parte cada.
Cada um daqueles três conjuntos de joias finas era de valor inestimável e extremamente cintilante.
Porém, ela nunca os havia usado nem uma única vez, deixando todos trancados no cofre.
Durante toda a sua vida, ela sempre preferira a leitura e não se interessava muito por coisas como joias, de modo que aqueles itens, para ela, não faziam muita diferença.
Um deles, o do dote, ela havia usado no dia do casamento de Jorge e Sofia Ramos.
Na época, Sofia ficou de olho nele e chegou a sondá-la várias vezes a respeito.
Especialmente quando Sofia teve aquele filho, o que os fez acreditar ser o neto mais velho da família Andrade, Clara havia chegado a cogitar de verdade dar um dos conjuntos de joias a ela.
Por sorte, na época, Daniel a impediu.
Daniel disse que sentia algo errado em relação a Sofia, que ela não era uma boa e virtuosa nora, que precisavam observá-la mais e que não deviam se precipitar entregando suas riquezas a ela.
Como Clara também nunca tinha gostado muito dela, acabou desistindo da ideia.
Pensando naquilo agora, fora mesmo uma grande sorte.
Mas agora, em relação a Laís, a postura do casal era completamente diferente.
Eles já haviam reconhecido sua índole há muito tempo e confiavam em seu caráter.
Dessa vez, pela felicidade de seu filho, ela estava disposta a apostar tudo apenas para conseguir um desfecho perfeito.
Clara colocou cada conjunto de joias em caixas de presente, arrumando-os de maneira organizada.
Sendo tão elogiado, Daniel imediatamente sentiu-se cheio de orgulho:
— Claro que sim, esse moleque não tem nem um décimo da minha habilidade.
— Mais para frente, quando vocês dois se casarem, eu vou ensiná-lo direitinho. Os homens da família Andrade têm que saber tanto brilhar no trabalho quanto pilotar um fogão.
Era a primeira vez que Laís ouvia palavras como aquelas de um ancião tão respeitável, e ela não conseguiu evitar uma risadinha:
— Tio Daniel, as outras famílias criam regras para as noras. Por que na família de vocês são os filhos que têm que seguir as regras?
Daniel sorriu:
— A tradição da nossa família sempre foi essa. Quando me casei com a minha esposa, o meu pai me repetiu várias vezes que um casamento só dá certo quando o marido respeita e ouve a sua mulher.
— Essa é a frase que vou dizer ao Jorge agora. Jorge, no futuro você tem que se certificar de fazer isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís