Clara Campos inicialmente havia voltado a sentir um certo "peso" na consciência com as palavras de Jorge, temendo que Laís pudesse julgá-la.
Mas com Laís dizendo aquilo, ela imediatamente soltou uma gargalhada alegre e, batendo no peito, disse em voz alta:
— Exatamente! Quem quiser ser uma dama, que seja! Agora, o que eu gosto mesmo é de ser uma mulher de atitude!
— Laís, eu sabia que você e a sua mãe me entenderiam! Vocês nunca achariam que estou sendo solta demais agora, certo?
Laís assentiu:
— É claro que não. Tia Clara, eu acredito que o mais importante para qualquer pessoa é encontrar a si mesma. Não devemos impor tantas regras e amarras a nós mesmos. Desde que seja dentro dos limites da lei, viver de forma intensa e livre, fazendo o que tiver vontade, é a coisa mais reconfortante do mundo!
Laís concordava profundamente com isso e expôs sua opinião com muita seriedade.
Inesperadamente, ao ouvir isso, Clara a empurrou de leve para os braços de Jorge e abriu um sorriso largo:
— Você está absolutamente certa!
— Por isso, não fiquem mais cheios de pudores, você e o Jorge. Se têm algo a dizer, digam. Se têm vontade de fazer algo, façam.
— Fiquem tranquilos. Vocês dois já têm permissão moral e logo terão também permissão legal, então não há nada que não possam fazer.
Laís só queria confortar Clara, mas não imaginou que ela ia aproveitar o momento para empurrá-la suavemente para os braços de Jorge.
Ela levou um susto e, instintivamente, tentou se levantar.
Contudo, Jorge a segurou por vontade própria, envolvendo-a gentilmente com os braços.
Laís ia empurrá-lo, mas ao abaixar a cabeça e vislumbrar o braço dele todo enfaixado, o coração apertou e ela acabou não o rejeitando.
Clara observou as duas pessoas aninhadas à sua frente com um sorriso no rosto, e quanto mais olhava, mais terno ficava o seu olhar.
Ela sentia, cada vez mais, que Jorge e Laís eram simplesmente um casal feito no céu.
Quando os dois se tornassem marido e mulher no futuro, com certeza seriam como ela e Daniel Andrade: em perfeita sintonia e harmonia.
— Eles já escolheram a data e estão se preparando para registrar o casamento. Sinto que a nossa família precisa demonstrar sinceridade. Eu dei a ela o bracelete de herança que a minha sogra me deixou, mas acho que só isso é muito pouco.
Daniel, ao ouvir aquilo, pensou um pouco e depois disse suavemente:
— Realmente é pouco, vai parecer que não estamos dando a devida importância.
— Vamos fazer o seguinte: vamos mandar as escrituras dos oito imóveis que estão no nome do Jorge lá para a família Linhares. Se a Laís quiser adicionar o nome dela, ou se passarmos tudo para o nome dela, não teremos objeção alguma. Desde que ela fique feliz, o que você acha?
Clara respondeu sem pensar duas vezes:
— Acho que sim, mas isso ainda não é o bastante.
— Que tal se mandarmos as escrituras dos oito imóveis, todos os carros da garagem do Jorge, e mais aqueles três conjuntos de joias que eu guardava? Assim ficará claro que temos bastante consideração. O que me diz?
Daniel respondeu em tom solene:
— Eu acho uma boa ideia, vamos fazer assim!

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