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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 884

Ele virou a cabeça instintivamente em busca de Laís.

Laís correu apressadamente até ele. Ao ver que o ferimento no braço direito de Jorge ainda sangrava intensamente, tirou seu casaco leve sem pensar duas vezes.

Com a manga da roupa, fez um nó apertado logo acima da ferida de Jorge para estancar a hemorragia.

Depois, utilizou o restante do tecido para limpar, com extrema delicadeza, o sangue que escorria pelo braço dele.

Ela tentou acalmá-lo num sussurro gentil:

— Jorge, acabou. Sandro e Xavier desmoronaram definitivamente desta vez.

Jorge permaneceu estático, não respondendo por um longo tempo.

Laís estranhou o siléncio e levantou os olhos, notando de imediato que os lábios dele estavam brancos como papel.

No segundo seguinte, ele desabou em seus braços, apagando completamente, resultado nítido da perda excessiva de sangue.

— Um médico! Rápido! Ele desmaiou! Uma ambulância!

Laís gritou em pânico, enquanto o agarrava com toda a sua força.

Nunca tinha visto aquele lado brutal de Jorge, onde suas emoções dispararam sem freio, assim como nunca o vira tão pálido e fragilizado.

Encarar o rosto exangue e se lembrar das falas insultuosas que Sandro lhe dirigira agora pouco...

Aquelas palavras vis e intoleráveis foram difíceis de engolir até mesmo para ela, quanto mais para Jorge.

-

Após ser levado ao hospital, Jorge logo desenvolveu uma febre fortíssima.

Para um adulto, apresentar febre de mais de 39 graus é um sinal assustador.

Esta febre durou tortuosos trés dias inteiros até que sua temperatura finalmente baixasse.

Durante aqueles trés dias, Laís e Clara Campos velaram sua cama dia e noite, ambas pressionando a outra a ir descansar, mas nenhuma tendo coragem de, de fato, deixá-lo.

Clara tinha em Jorge o seu ónico filho amado e, por mais que não fosse de elogiá-lo e passasse boa parte do tempo reclamando, isso não mudava as coisas.

Porque, em seu coração, o marido era o seu céu, mas Jorge era a sua própria vida.

No instante em que ouviu que Jorge se engalfinhara com um grande traficante, a alma de Clara quase escapou do corpo.

Ela perdeu o controle emocional. Durante os trés dias em que o filho ardeu em febre, andava de um lado para o outro sem parar, chorando sem conseguir se acalmar, porém irredutível na decisão de não arredar o pé de lá para descansar.

— O estado da minha mãe é um bocado grave. Ela já sabe como está a sua própria saúde, porém recusa veementemente a quimioterapia. Prefere se apegar à medicina tradicional e nós só podemos ceder.

— Quero muito que os dois regularizem a situação e arranjem um evento bem bonito. É o maior desejo do coração dela, bem como o meu e o do pai do Jorge.

Embalada pelo diálogo e quase sem pestanejar, Clara retirou do próprio pulso a Pulseira de Esmeraldas, acessório do qual ela nunca se separava.

Laís mal teve a chance de processar quando a senhora fisgou a sua mão e enfiou a pulseira em seu punho.

— Esta é a herança de a família Andrade. Já passou por dez gerações até chegar em mim. Te dar essa joia expressa os meus mais puros sentimentos.

Atônita, Laís negou veementemente a dádiva de pronto: — Não, isso é impossível, Tia Clara! Esse item é inestimável demais, não me atrevo a aceitar, eu...

As duas se enrolaram naquele jogo de empurra e recusa, completamente cegas para o fato de que a troca havia sido flagrada por uma terceira pessoa.

A mulher exibia nas mãos um resultado de exame de gravidez. Estava plantada a uma curta distância, e seus olhos estreitos revelavam-se encharcados de cobiça pela visão proporcionada.

A tal Pulseira de Esmeraldas, artigo de família com o qual tanto sonhou e que foi sistematicamente negada por Clara a ela repetidas vezes, fora escorregada assim com tamanha simplicidade para os braços de Laís.

Um tom esverdeado apoderou-se de sua expressão inteira antes que pudesse exclamar por instinto:

— Clara Campos, estou grávida de novo! E tenho certeza de que agora é do Jorge!

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