Laís observou o rosto sereno e sério de Jorge e não pôde evitar rir:
— Por favor, você acha que eu sou tão mesquinha assim?
— Além do mais, eu também tenho um passado. Se formos falar de dedicação, eu me entreguei muito mais e de uma forma bem mais profunda do que você, não é?
Jorge suspirou, visivelmente aliviado.
— Que bom, eu estava quebrando a cabeça sobre como responder a essa pergunta.
— Tinha medo de que falar a verdade a deixasse triste. Porém, mentir é algo que vai contra os meus princípios.
Laís continuou olhando fixamente para ele.
— Jorge, ser tão franco assim já é a melhor atitude que você poderia ter.
— Muito bem, meu último questionamento foi respondido. Para celebrar sua sinceridade, vamos brindar, que tal?
Ao ouvir isso, Jorge pegou o vinho e despejou um pouco em cada taça, entregando uma para Laís.
Laís bebeu de uma vez, virando a cabeça para o lado e apoiando o queixo na mão, sorrindo de modo inocente.
Apesar de ter trinta anos, Jorge não tinha muita vivência no campo dos relacionamentos, e não conseguiu resistir a ser observado daquele jeito pela mulher que amava.
Seu coração começou a bater mais forte.
Aquele fervor que vinha reprimindo ao longo dos últimos dias ressurgiu com tudo.
Sem conseguir mais segurar os próprios impulsos, ele a prensou contra o sofá de uma vez.
Segurou o queixo dela com os dedos e encarou seu rosto, com o olhar extasiado, quase beijando-a.
Laís deu um leve grito de surpresa, mas rapidamente recuperou a calma.
Encontrando os olhos apaixonados de Jorge, ela respirou fundo, fechando os olhos.
O peito dela subia e descia a cada respiração.
Eles estavam tão próximos que podiam sentir e ouvir a respiração um do outro.
Ao sentir o vigor de seu corpo, Laís teve a impressão de que seu coração se inflama em fogo.
Os desejos mais profundos de seu interior pareciam ter sido despertados subitamente.
Por puro instinto, ela passou os braços ao redor do pescoço dele.
Toda aquela atmosfera sedutora foi abruptamente esmagada como se alguém tivesse puxado o freio de mão.
Jorge saltou como um peixe fora d'água, puxando Laís do sofá junto com ele.
Ao trocarem um olhar, o raciocínio claro e sereno retornou a ambos instantaneamente.
Jorge se aproximou rápido da porta e a abriu, deparando-se com Gustavo Matos segurando o celular, a expressão cheia de angústia e a voz tremendo:
— Jorge, as coisas estão ruins!
— O Guilherme falou que não conseguiu ligar para vocês e por isso me ligou!
— Ele me pediu para avisar que a operação secreta vazou para o Sandro Ramos, e que ele já sabe de tudo!
As sobrancelhas de Jorge se franziram, transformando-se em uma linha rígida:
— O quê?!
Gustavo continuava com o telefone na mão. Ao notar que a ligação ainda estava ativa, Jorge rapidamente puxou o aparelho da mão dele:
— Guilherme, qual é a situação exata? Você e a Carla Torres estão em segurança?

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