Laís deu de ombros, sem saber se ria ou se chorava.
Nem é preciso dizer que Jorge foi o primeiro a receber aquele nível de tratamento.
Pelo visto, sua mãe estava genuinamente satisfeita com Jorge e ansiava para que a relação entre os dois se concretizasse de uma vez por todas.
Os olhos de Jorge brilharam, profundos:
— Não fique aí parada, Laís, venha sentar.
Jorge bateu no espaço vazio ao seu lado no sofá, chamando-a para perto.
Laís se aproximou e, assim que se sentou, Jorge tirou uma corrente fina do bolso do pijama, como num passe de mágica:
— Achou bonito?
Laís viu um lampejo de brilho e, ao olhar mais de perto, percebeu que era uma cintilante tornozeleira de platina.
— Isso... — Laís estava muito surpresa. — Quando você preparou isso?
Jorge sorriu levemente, não disse nada e, em vez disso, abaixou-se e apoiou um dos joelhos no chão.
Inclinando-se sutilmente, ele segurou com delicadeza o tornozelo fino de Laís com sua mão grande e suave.
Passou a corrente ao redor de seu calcanhar pálido e fechou o fecho.
Laís sentiu um arrepio elétrico subir subitamente de seu tornozelo até o fundo do coração.
Seu coração perdeu o ritmo por um instante.
Só então ela se deu conta do que acontecia:
— Por que está me dando um presente assim, do nada?
— É que... sempre que eu vejo uma joia bonita, sinto vontade de comprar para você.
Jorge foi direto e sincero.
Depois de colocá-la, ele segurou o pé dela e analisou a joia com atenção sob a luz do abajur.
A tornozeleira de platina era fria ao toque, e o diamante verde incrustado refletia um brilho enigmático. A corrente fininha fazia a pele dela parecer ainda mais clara.
Ele a observou com uma expressão de admiração:
— Seus tornozelos realmente combinam com tornozeleiras. Ficou linda.
Laís arqueou de leve as sobrancelhas.
— Jorge, você tem certeza de que nunca teve um relacionamento antes?
— Por exemplo: imagine se eu desse uma tornozeleira igual a esta a ela, cheio de expectativa para ver a reação.
— Em vez de ficar feliz, ela perguntaria por que a corrente é tão fina, criticaria o peso do ouro, iria querer saber a marca e se a peça valia alguma coisa... Coisas desse tipo.
Laís compreendeu imediatamente e disse em voz baixa:
— E que mais?
Jorge sabia que ela estava apenas curiosa sobre seu passado e, sem tentar esconder nada, continuou calmamente:
— Além disso, por confiar nela, passei a deixar os meus cartões em suas mãos. Pouco tempo depois, comecei a receber mensagens de texto, uma atrás da outra, alertando sobre o valor gasto, o tempo todo, tocando sem parar o dia inteiro.
Aquele ponto da conversa fez Jorge virar para Laís com uma expressão séria:
— Laís, não vou mentir dizendo que nunca fiz isso pela Sofia Ramos. Afinal, quando duas pessoas se casam, independentemente do motivo que as une, ambas entram no relacionamento com a esperança de passarem o resto da vida juntas.
— Mas quando duas pessoas não são feitas uma para a outra, acabam acumulando atritos, grandes e pequenos, e cada atrito desgasta o sentimento aos poucos. Até que, no fim das contas, ela passou a dizer que eu era emocionalmente abusivo e que me recusava a tratá-la bem.
— A verdade é que comecei a colecionar desilusões e acabei recuando, apenas isso.
— Dizer isso faz você se importar? Incomoda o fato de que um dia já tentei ser bom para outra pessoa?
Com um olhar sério e atento, Jorge a encarou, aguardando pacientemente pela resposta.

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