Assim que ouviu o ruído, Laís acionou a câmera de segurança às pressas para checar.
Descobriu que era Felipe Vasconcelos de novo.
Ele batia novamente à porta e, às suas costas, estavam Catarina Vasconcelos e um assistente.
O assistente carregava uma grande sacola contendo artigos infantis, o que parecia ser latas de leite em pó, fraldas e alguns brinquedos.
Laís franziu as sobrancelhas quase por instinto:
— Essa família Vasconcelos assombra como um fantasma, a mãe e a irmã dele mal saíram e agora é ele quem vem visitar a minha mãe.
Aquelas palavras fizeram Jorge comprimir os lábios:
— O verdadeiro interesse não está no álcool do vinho. Enquanto não alcançarem o que querem, virão bater ponto constantemente.
Laís deu um suspiro pesado, sentindo-se um tanto aliviada:
— Ainda bem que eu não bati as botas de verdade, senão, por mais forte que minha mãe seja, seria muito difícil ela lidar sozinha com aquele bando.
As palavras a fizeram ganhar um beliscão gentil de Jorge em sua bochecha macia:
— Exatamente, as pessoas boas têm os céus a seu favor. É por meio desta situação que muitas essências poderão ficar visíveis com clareza.
Laís confirmou com a cabeça e fixou novamente o olhar na tela do monitor.
-
Felipe Vasconcelos ficou com o dedo na campainha por um bom tempo, e, por fim, o portão se abriu.
Apesar disso, não foi Lídia quem o atendeu, mas sim Carla.
Ao pôr os olhos em Felipe, o desgosto marcou o rosto de Carla, e ela perguntou sem um pingo de paciência:
— Felipe, a família de vocês não sabe a hora de parar, é isso?
— Sua mãe e sua terceira irmã saíram agorinha com um esquadrão, e agora é você que vem trazendo a segunda irmã! Estão querendo demolir a Vila Magnólia até o chão?
Incapaz de se segurar, Carla revirou os olhos com impaciência:
— O quê? A merreca de patrimônio que a Laís deixou atrai tanto a cobiça de vocês assim?
Felipe permaneceu perplexo por alguns instantes.
Ele não tinha ideia de que sua mãe e Melissa tinham acabado de passar por lá, elas nem sequer o avisaram.
O fato de ele trazer a segunda irmã hoje devia-se a duas razões: a primeira era a imensa saudade e vontade de ver a filha; a segunda era a intenção de conversar com Lídia sobre planejar uma cerimônia em memória de Laís.
Embora ele e Laís estivessem divorciados, afinal, conviveram juntos no casamento por seis anos de suas vidas.
— Uma cerimônia póstuma?
— Vocês estão querendo dizer que vão pagar as despesas?
Carla também refletira sobre tal questão e planejava propor algo do tipo para Lídia.
A garota sentia que, sob nenhuma hipótese e mesmo sem reaver o corpo da amiga, algum tributo deveria ser prestado. Seria injusto deixá-la partir no escuro sem uma despedida oficial.
Felipe explicou suavemente:
— Sim, eu mesmo assumirei integralmente a conta de tudo e faremos seguindo os desejos e as exigências da Dona Lídia.
— A senhora poderia permitir a nossa entrada? Desejamos apenas nos sentar amigavelmente para chegar num consenso maduro.
No automático, Carla virou o rosto na direção de Lídia.
Lídia estava logo atrás carregando a pequena no colo e, tendo escutado o arranjo, respondeu em alta voz:
— Podem entrar.
Felipe e Catarina Vasconcelos entraram na residência.
Ao ver os traços angelicais de uma boneca com vestido de princesa dormindo aninhada ao peito de Lídia, os olhos de Catarina marejaram num tom vermelho ainda mais carregado.

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