Patrícia deixou sua posição clara mais uma vez e, após falar, fez um sinal com o olhar para que os guarda-costas se preparassem para avançar e arrancar a criança à força.
Foi nesse momento que Lídia se levantou do sofá, com Aline em seus braços. Ela varreu o ambiente com um olhar gélido e, baixando o tom de voz, declarou:
— Tudo isso que vocês disseram, eu compreendo a lógica.
— Apenas que tudo o que estão afirmando baseia-se na premissa de que a minha filha já possui um Atestado de Óbito. Então eu pergunto: até o presente momento, algum de vocês já viu o Atestado de Óbito da minha filha?
Assim que essa frase saiu da boca de Lídia, o ambiente mergulhou em um silêncio sepulcral.
Patrícia e Melissa trocaram olhares confusos, ambas perplexas.
Laís havia "morrido" no País A e, segundo os relatos, fora levada pelas águas do mar, tornando impossível localizar seu corpo.
Consequentemente, as autoridades do País A também não poderiam emitir um Atestado de Óbito correspondente.
E o que eles vinham tramando durante todo aquele tempo era como, através da criança, poderiam apoderar-se facilmente de toda a "herança" de Laís.
Já haviam esclarecido todos os procedimentos e burocracias. A visita daquele dia significava que tudo estava pronto, faltando apenas levar Aline para casa.
No entanto, por mais que quebrassem a cabeça, Patrícia e Melissa não haviam pensado naquele detalhe.
Pois é, sem um Atestado de Óbito, como poderiam provar que a pessoa estava morta?
Sem um Atestado de Óbito, tudo o que eles acabaram de alegar deixava de ter qualquer validade... Afinal, tudo exige provas e fundamentos e, mesmo para transferir a guarda, seria necessário apresentar documentação suficiente.
Patrícia entrou em pânico no mesmo instante e tentou argumentar de forma descabida:
— Para... para que Atestado de Óbito? A pessoa já morreu, já existem os documentos da polícia do País A servindo de prova! Lídia, pare de forçar a barra!
Lídia bufou com desdém:
— Você não trouxe um monte de funcionários públicos aqui? Então, por que não pergunta a eles se, na hora de fazer os trâmites legais, um documento fornecido pela polícia do País A pode substituir um Atestado de Óbito?
Lídia olhou-a com desdém, carregando um sorriso sarcástico no canto dos lábios:
— O dinheiro que a minha filha ganhou... mesmo que eu quisesse ficar com ele, não haveria nada de errado nisso.
— Mas você, causando todo esse alvoroço, deixa suas más intenções evidentes até demais!
— Patrícia, acredito que em toda Marbella, não haveria uma viva alma que acreditasse que uma avó como você — que prefere meninos e que olhou para a neta apenas no dia do nascimento, sem nunca cuidar dela nem por um segundo — fosse, de repente, passar a amá-la!
— Portanto, pare de atuar com esses joguinhos hipócritas na minha frente!
— Quer usar a criança para disputar o patrimônio da Laís, não é? Pois bem. Se for capaz, consiga o Atestado de Óbito primeiro!
— Sem os procedimentos oficiais adequados, eu jamais entregarei a Aline a vocês! É melhor perderem a esperança desde já!
— Agora, saiam da minha casa imediatamente! Caso contrário, não me culpem se eu perder a educação!

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