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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 6

Dona Lúcia correu do quarto apavorada, gritando em desespero:

— Terremoto! É um terremoto?

Dona Zélia, segurando a criança que chorava aos prantos, também saiu correndo em pânico ao ouvir os barulhos, descalça e agarrando a bolsa, sem nem pensar em calçar os sapatos.

...

Quando as duas entraram na sala e viram Laís, que sempre fora calma e racional, destruindo freneticamente os enfeites que antes amava, ficaram boquiabertas.

Dona Lúcia correu para tentar detê-la:

— Senhora, pare de quebrar tudo! Vamos conversar com calma, senhora!

Dona Zélia balançava o bebê que chorava sem parar, e com a voz embargada pediu:

— Senhora, por favor, pare, não assuste a bebê!

Ao ouvir o choro desesperado da filha, Laís amoleceu, como se todas as suas energias tivessem sido drenadas.

Finalmente soltou o vaso de porcelana que segurava, foi até a criança e a apertou firmemente contra o peito.

O rosto da bebê estava vermelho de tanto chorar, e suas mãozinhas estavam fechadas com força.

Dona Zélia aproximou-se e a apressou nervosamente:

— Ela com certeza está com fome! Fiz a mamadeira, mas ela não quis, só quer o peito! Senhora, rápido, amamente a bebê!

Laís nem hesitou, o movimento de erguer a blusa foi quase automático.

Porém, no segundo seguinte, ela se deu conta de algo.

Ao olhar para cima, cruzou o olhar com a expressão indescritível nos olhos de Felipe.

Todos aqueles anos, ele estivera acostumado a vê-la como a profissional implacável de maquiagem impecável. Quando a vira tão desarrumada, levantando a roupa em público para amamentar?

Naquele momento, além do desconforto dele, ela mesma sentiu um imenso constrangimento.

Mas a criança continuava a chorar e ela não podia se dar ao luxo de pensar nisso. Virou-se de costas para ele, ergueu a ponta da roupa e aproximou o rostinho do bebê ao peito.

O ambiente ficou em completo silêncio. Apenas o som do bebê engolindo vorazmente podia ser ouvido.

Felipe permaneceu imóvel. Observava as costas de Laís amamentando com uma expressão complexa, os olhos profundos não revelando o que se passava em sua cabeça.

Dona Lúcia começou a limpar silenciosamente a bagunça espalhada pelo chão.

Dona Zélia se aproximou e, observando Laís amamentar, comentou baixinho:

— Senhora, deve ter sido tão difícil para a senhora. Para que a bebê pudesse tomar leite materno, aguentou as dores do empedramento e insistiu em estimular a descida do leite por quinze dias seguidos.

— Desde que começou a mamar, a bebê está crescendo e ficando mais saudável a cada dia. Olhe só este rostinho, todo redondinho.

...

Porém, naquele exato instante, o toque estridente de um celular cortou o ar.

Felipe tirou o aparelho do bolso. O nome "Sofia" na tela feriu os olhos de Laís profundamente.

Ele foi rapidamente para um canto atender, e a voz desesperada da mulher pôde ser ouvida:

— Felipe, o Caio regurgitou! Vomitou um monte! Estou apavorada, o que eu faço?

O rosto de Felipe assumiu uma expressão de urgência:

— Não se desespere, estou indo para aí agora mesmo.

Praticamente sem hesitar, ele pegou o casaco do sofá e estava prestes a sair quando, lembrando-se de algo, parou:

— Laís, a Sofia é mãe de primeira viagem, não sabe de nada. Vou lá dar uma olhada e já volto.

Laís: "..."

O seu coração congelou novamente.

Ao observar as costas de Felipe se distanciando rapidamente, ela sentiu que aquilo não passava de uma enorme piada.

Ele havia estado em casa por menos de meia hora, e ao receber uma ligação de Sofia, foi embora na mesma hora.

Aquele cuidado todo com ela, seria realmente porque ela era esposa do amigo... ou porque era a vontade dele?

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