Zoraida tirou o celular do bolso e ligou diretamente para Felipe Vasconcelos.
A chamada não demorou a ser atendida, e a voz magnética ressoou do outro lado:
— Olá, Zoraida.
— Felipe, Laís e Jorge estão conversando com meu pai agora mesmo, tentando roubar a nossa parceria.
A voz de Felipe do outro lado da linha estava apagada, denotando uma profunda melancolia:
— Ah, eu já imaginava.
A voz de Zoraida elevou-se vários tons na mesma hora:
— Já imaginava e não tomou nenhuma atitude? Vai mesmo deixar a Laís passar por cima de você e fazer as nece...?
O xingamento escapou dos lábios de Zoraida quase de forma instintiva; logo em seguida, ela percebeu que aquelas palavras eram impróprias e calou-se a tempo, substituindo-as por um tom um tanto mais brando:
— Felipe, você não pode continuar desse jeito. Você tem que se recompor.
— Compreendo a angústia em seu coração. Se qualquer outro homem estivesse nessa situação, seria inaceitável. Porém, no momento, em vez de se render ao desânimo, o que você deve fazer é buscar uma forma de neutralizar a arrogância dela.
A princípio, Felipe não nutria nenhum tipo de sentimento por Zoraida; na verdade, sentia até uma certa antipatia por ela.
Mas, nos últimos tempos, depois de um golpe atrás do outro, a aceitação que ele encontrava se tornava cada vez menor, e as vozes da oposição tornavam-se ainda mais altas.
Diante das circunstâncias, as palavras "eu compreendo" adquiriam um valor excepcionalmente raro; até mesmo chegando ao ponto de tocar de imediato a parte mais frágil de seu íntimo.
Felipe não deu qualquer demonstração dessas emoções, e a sua voz seguiu imperturbável:
— E você tem algum plano melhor? Ou será que conseguiria convencer seu pai a não fechar negócio com a Laís?
A voz de Zoraida veio de forma retumbante:
— Eu consigo!

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