Laís não fez mais cerimônia; caminhou até a mesa junto com Jorge e ambos acomodaram-se confortavelmente.
Laís disse:
— Pelo Diretor Vargas, três tapas servirão.
Ela encarou serenamente os olhos carregados de profundo ressentimento de Zoraida Vargas:
— Só espero que a Senhorita Vargas sirva de exemplo para si mesma e, de agora em diante, pare de tentar dar ordens como uma princesinha a todo momento. Afinal, o mundo não gira em torno da família Vargas.
— Sua!!!
Zoraida estava tão furiosa que quase sofreu um ataque cardíaco. Ela apontou para Laís, fervendo de vontade de explodir.
Contudo, Venceslau lançou-lhe um olhar fulminante. Zoraida não teve escolha senão engolir sua raiva, sentando-se ao lado do pai com a maior má vontade.
Venceslau, por sua vez, foi muito cortês.
Todos os pratos servidos naquela refeição eram iguarias autênticas e caríssimas de Suzano, e até mesmo a bebida trazida era uma cachaça premium guardada por anos em sua própria adega.
Laís nem ligou para o resto. Assim que se sentou, sem perder tempo com conversa fiada, começou a comer vigorosamente.
Como não vinha se alimentando direito ultimamente, seu estômago estava quase roncando de tanta fome.
A comida de Suzano era extremamente autêntica e agradava muito ao seu paladar, de modo que ela saboreou tudo, feliz e satisfeita.
Jorge observou-a com carinho o tempo todo; vê-la comer com tamanho entusiasmo enchia-o de alegria.
Quando o copo dela ficava vazio, ele o reabastecia com bebida.
Sempre que havia um prato fora de alcance, ele girava a mesa na hora certa para que ficasse diante dela.
Quanto aos camarões ou caranguejos que exigiam ser descascados, não era preciso que Laís pedisse: ele, em silêncio, descascava as cascas, separava a carne e a colocava numa tigela limpa, deslizando-a de forma discreta para a frente dela.
O nível de dedicação de seus serviços podia muito bem ser comparado ao de um capanga servindo seu chefão.
Aquela série de atitudes deixou Venceslau e Zoraida paralisados de choque.
O olhar expressivo de Venceslau vagava constantemente entre Jorge e Laís, levando-o a afundar-se em reflexões.
Já Zoraida continuava rígida à mesa, exibindo três imensas marcas vermelhas no rosto, observando a devoção e a gentileza incansáveis de Jorge para com Laís. O rosto dela esverdeou de fúria.
Por várias vezes ela quase não conseguiu se segurar para não explodir, mas, em todas elas, a mão de Venceslau por debaixo da mesa freou-a a tempo.

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