Os guarda-costas que se preparavam para avançar de repente ficaram atônitos.
No segundo seguinte, uma mão grande e forte agarrou a cintura de Laís Monteiro, puxando-a suavemente para um abraço e posicionando-a firmemente ao seu lado.
O homem deu um ligeiro passo à frente, numa postura resoluta de quem a protegeria a qualquer custo.
— Mas quem diabos é...
Zoraida Vargas arregalou os olhos. Antes mesmo de terminar o xingamento, percebeu que a pessoa que protegia Laís Monteiro era Jorge Andrade, e as palavras entalaram abruptamente em sua garganta.
Venceslau Vargas, que até aquele momento estava sentado no centro da sala VIP, inabalável como uma montanha, ergueu-se de um salto da cadeira no instante em que viu que se tratava de Jorge Andrade.
Com o rosto tomado pelo pânico, Venceslau esfregava as mãos nervosamente:
— Diretor Andrade, que... que ventos o trazem aqui?
— Puxa, sua presença ilustre é uma honra, perdoe-me por não tê-lo recebido na porta. Rápido, sente-se, por favor, acomodem-se você e sua amiga!
Venceslau adiantou-se rapidamente, numa postura bajuladora, transformando-se de um chefão num mero subordinado em questão de segundos.
Laís Monteiro encarou a nuca de Jorge Andrade com interesse, deparando-se com a súbita percepção de que aquele companheiro tão acessível que costumava acompanhá-la também possuía uma aura de poder impressionante.
Jorge manteve o olhar fixo para a frente, os lábios finos cerrados, sem mover um músculo:
— Diretor Vargas, convidar uma pessoa para jantar e primeiro presenteá-la com cem tapas na cara... é essa a sua forma de receber convidados?
Aterrorizado, Venceslau acenou com as mãos repetidamente em pânico:
— Não, não, claro que não. Minha filha estava apenas brincando, pergunte a ela se não acredita.
Ao terminar a frase, Venceslau virou-se para encarar Zoraida, piscando desesperadamente para ela.
Zoraida continuou parada, com as unhas compridas cravadas profundamente na própria carne. Ela se obrigou a dar um passo à frente, exibindo um sorriso duro no rosto:
— Sim, eu estava só brincando agora a pouco.
— Como achei que eu e a Laís fôssemos próximas, decidi provocar um pouco, só isso. Laís, você não se importa, não é?
Zoraida olhou para Laís com um sorriso falso, dando tapinhas no braço dela numa tentativa de demonstrar falsa intimidade.
A expressão de Laís era gélida:

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