Ao se virar, Felipe deu de cara com Jorge, descendo de seu Cullinan.
…
Felipe ficou atordoado por intermináveis cinco segundos.
— Você de novo, Jorge.
— Por que você age como uma mosca, rondando a minha esposa todos os dias?
O semblante de Felipe tornou-se aterrorizantemente sombrio, exalando hostilidade a cada palavra.
— Nos meus olhos, a mosca aqui é você.
Antes mesmo que Jorge pudesse intervir, Laís lançou seu contra-ataque impiedoso.
— Laís! Em que, afinal, ele é melhor do que eu?
— Em tudo ele é melhor que você.
As palavras de Laís ressoaram firmes, batendo no rosto de Felipe como bofetadas físicas.
Essa convicção cristalina arrancou um sorriso instintivo dos lábios de Jorge.
…
A fúria ardeu nos olhos de Felipe, como se estivesse prestes a estraçalhar quem ousasse desafiá-lo.
O que mais o revoltava era ver Jorge entrar pelo portão com ares de triunfo, acomodando-se ao lado de Laís, enquanto a ele só restava suportar a humilhação das recusas da segurança.
A faísca dentro do peito de Felipe tornou-se um incêndio indomável.
Abandonando qualquer vestígio de sanidade, ele burlou a segurança e saltou de forma intempestiva as catracas, investindo brutalmente na direção de Laís.
Por instinto, ela recuou alguns passos.
Subitamente, sentiu a pressão firme de uma mão no meio de suas costas.
Antes que Felipe pudesse alcançá-la, Laís foi puxada pela cintura para o calor protetor de um peito amplo e robusto.
Acima de sua cabeça, ecoou uma voz macia, porém permeada por um frio cortante:
— Felipe, entrando sem permissão... O que pensa que está fazendo?

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