Aquela cena afetuosa que acabara de presenciar perfurou seus olhos de maneira implacável.
Ele nunca imaginaria que, num espaço de tempo tão curto, Laís não apenas estivesse saindo constantemente com Jorge, mas também tivesse construído laços quase indissolúveis com a família Andrade.
O simples pensamento de que, se isso continuasse, Aline cresceria e apagaria da memória a existência do próprio pai — e que talvez chegasse a ver Jorge como seu progenitor —, o devorava por dentro.
Só de pensar naquilo, Felipe rangeu os dentes até quase quebrá-los.
Apesar disso, esforçou-se ao máximo para manter a compostura e a dignidade aparentes:
— Mãe, tenho alguns assuntos particulares que preciso discutir com a Laís. Vocês poderiam pedir aos seguranças que me deixem entrar?
Lídia o encarou com profundo desprezo:
— Não me chame de mãe. Não é qualquer um que tem o direito de me chamar assim.
— A não ser sobre o divórcio, a nossa Laís não tem mais nada a falar com você. Felipe, se tiver qualquer outra intenção, simplesmente suma!
Após sobreviver à injustiça daquela prisão infundada, o desprezo de Lídia por Felipe e toda a família Vasconcelos se transformou numa aversão irremediável. Assim, ela já não sentia qualquer necessidade de poupar os sentimentos dele.
Apertando as mãos, Felipe teve o olhar obscurecido, mas conteve seu ímpeto e, adotando um tom ameno, respondeu:
— Certo, vamos falar sobre o divórcio.
Lídia lançou-lhe um olhar glacial e, em seguida, olhou para Laís.
Laís decifrou a mensagem nos olhos da mãe e disse suavemente:
— Mãe, volte com a Aline primeiro. Eu logo estarei de volta.
Sem pestanejar, Lídia deu as costas e empurrou o carrinho resolutamente para dentro do hospital.
Felipe assistiu, impotente, a Lídia se afastar com Aline. Sua filha estava a poucos metros de distância, mas uma barreira física o impedia de sequer olhá-la.
Ele acompanhou a silhueta de Lídia empurrando a bebê, até que desaparecessem completamente de sua vista, e só então recolheu seu olhar, desolado.

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