Jorge Andrade concordou com um sorriso, mas, ao lançar um olhar casual em sua direção, sua respiração falhou repentinamente.
A segunda metade de sua frase ficou entalada na garganta. Ele ficou olhando para frente, atônito, com os olhos transbordando um deslumbramento inesperado.
Desde o pós-parto, com exceção de algumas raras aparições públicas, Laís se vestia da forma mais simples possível. Ultimamente, com tantas idas e vindas, ela tinha ainda menos tempo para se arrumar.
Mas seus traços, na verdade, lembravam muito os de Lídia Lima: o tipo de beleza que se tornava estonteante com apenas um pouco de maquiagem e cuidado.
Por um instante, Jorge Andrade não conseguiu desviar o olhar. Apenas quando Laís se aproximou ele voltou a si.
Percebendo sua falta de compostura, as orelhas de Jorge ficaram ligeiramente vermelhas.
Felizmente, a atenção de Laís estava toda voltada para o farto café da manhã sobre a mesa.
Jorge não tinha apenas comprado o capeletti; ele praticamente comprou todas as iguarias matinais tradicionais da rua onde moravam na infância.
Na mesa havia os pães fritos e o leite da Vila Histórica, panquecas de cebolinha, os perfumados mini-pastéis no vapor e também os bolinhos em formato de flor de ameixeira que Laís não comia há anos.
A fome de Laís despertou com força. Ela se sentou imediatamente, pegou um pão frito perfumado, mergulhou-o em um pouco de leite e o enfiou na boca. Um sorriso de pura satisfação se formou em seu rosto.
— Se eu soubesse que você traria tanta comida, eu nem teria me maquiado. Passei o batom à toa.
Enquanto comia, Laís comentava com um sorriso e, ao mesmo tempo, usava rapidamente um guardanapo para limpar o batom dos lábios.
Fazia muito, muito tempo que ela não provava um café da manhã com o sabor tão autêntico da Vila Histórica.
Tudo à sua frente a encantava, e seu apetite aumentou consideravelmente.
Depois de devorar metade de um pão frito de uma vez, ela pegou um dos mini-pastéis no vapor, mergulhou no vinagre e pôs na boca. Em seguida, pegou a tigela de capeletti à sua frente e continuou comendo vorazmente.
Lídia Lima não sabia se ria ou chorava ao ver a cena:
— Coma devagar, não precisa agir como se alguém estivesse te perseguindo. Vai fazer o Jorge rir de você.

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