A porta se abriu e Felipe Vasconcelos já estava vestido, ainda com seu terno impecável e aparência incrivelmente elegante.
A bebedeira havia passado completamente, e ele recuperou sua habitual postura calma e séria. Baixando os olhos para Zoraida Vargas, disse em tom neutro:
— Zoraida, desça para comer. Os empregados já prepararam o café da manhã. Depois de terminarmos, iremos juntos à minha empresa para discutir os detalhes específicos da nossa parceria. Já pedi ao meu assistente que avisasse a todos os executivos para nos esperarem.
Felipe Vasconcelos precisava desesperadamente dessa parceria com a família Vargas para consolidar sua posição e prestígio dentro do Grupo Vasconcelos.
Por isso, logo de manhã cedo, ele entrou em contato com César Matos, instruindo-o a preparar tudo para a assinatura do contrato e a notificar todos os diretores para aguardarem na sala de reuniões.
Além disso, ele também acabara de ligar para seu pai para informá-lo sobre o assunto.
Quando Fernando Vasconcelos soube que a situação finalmente tinha tomado um rumo favorável, seu tom de voz se suavizou na mesma hora.
Zoraida Vargas ergueu a cabeça para encará-lo, com os olhos ardendo de raiva:
— Vamos discutir sobre a parceria outro dia. Não estou com humor hoje e não quero ir.
Dito isso, ela apontou o dedo ao redor do quarto, franzindo as sobrancelhas com extrema insatisfação:
— E mais uma coisa: é melhor você mandar alguém verificar se há câmeras escondidas instaladas na sua casa.
— A Laís Monteiro acabou de me ligar fazendo ameaças. Ela exigiu que eu cancelasse a parceria com o Grupo Vasconcelos e a fechasse com eles, afirmando ter um vídeo nosso da noite passada.
— Felipe, você tem que me dar uma explicação razoável para isso! Caso contrário, nada feito em relação à parceria!
Diante de uma ameaça iminente, a ilusão que Zoraida Vargas tinha sobre Felipe Vasconcelos começava a desmoronar.
Ela estava perturbada. Quanto mais pensava na noite passada, mais arrependida se sentia. Se seu pai descobrisse a verdade, ela estaria completamente arruinada.
No entanto, ceder e fechar negócio com o pequeno estúdio de Laís Monteiro — mesmo que tivessem o capital necessário — era algo que ela não queria fazer de jeito nenhum.
Não suportava a ideia de deixar uma vantagem tão grande cair nas mãos de Laís, mas, naquele momento, sentia-se extraordinariamente encurralada.


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