— Dois: você vai se entender com a Sofia e as outras. As minhas condições para um acordo amigável são que elas se responsabilizem por todos os custos da reforma da Belle de Nuit e pelos prejuízos que o incidente causou. E tem mais...
Laís fitou Felipe nos olhos, respirou fundo e com firmeza e determinação na voz, prosseguiu:
— Quero que você assine os papéis do divórcio e se separe de mim.
As pupilas de Felipe dilataram-se em choque, e ele retorquiu quase por impulso:
— Laís, você insiste no divórcio?
No seu olhar não se vislumbrava mais um resquício daquela brandura e da hesitação do passado. Ela confirmou num meneio de cabeça:
— Sim.
Sem acrescentar mais nada, deu as costas e desocupou o recinto rapidamente.
O resto não a interessava mais; seu foco baseava-se inteiramente no resultado.
A sua finalidade primordial na ocasião não girava em torno de entregar Sofia e Viviane para a prisão; eram os dois preceitos que estabeleceu perante Felipe.
Em breve a boate completaria os seus dez anos, e Lídia Lima arquitetava um processo de reforma e reinauguração antes de adoecer na Austrália. E em boa hora, uma grande fogueira lhes foi providenciada...
E a opção da separação foi a resolução deliberada de Laís, fundamentada naquela madrugada inteira de reflexões com Lídia Lima.
Lamentou, recuou e considerou profundamente acerca da situação do afeto paterno por parte de Aline... mas preferiu persistir no rumo do divórcio.
Sua mãe estava certa: certas dores devem ser curtas e breves, limitando os estragos, o que seria sempre uma escolha mais prudente que tentar apanhar água esparramada no chão.
A Aline possivelmente enfrentaria muitas chacotas e intrigas, semelhante a quando pequena, porém, refletindo posteriormente, foram precisamente as rejeições e o mal que nutriram um peito robusto e inflexível para sempre resistir.
As plantas mantidas enclausuradas sucumbem aos primeiros instantes de rajada de vento.
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