Laís entrou em um camarote vazio na porta ao lado.
Felipe seguiu atrás, com o semblante carrancudo e o olhar vacilante.
Tudo que acontecera naquela noite destroçou toda a percepção que ele tinha, expondo completamente a feiura das pessoas ao seu redor.
Sua mente estava uma confusão, porém de uma coisa ele tinha plena certeza: não poderia deixar essa palhaçada continuar, o fim seria desastroso.
Visando o bem maior, decidiu atuar como mediador da situação.
Aproximou-se de Laís e, repousando as mãos levemente sobre os ombros dela, falou com peso:
— Laís, escuta, a Sofia e a tia viraram tudo de cabeça para baixo, e aquilo foi o que conseguiram.
— Se realmente quer dinheiro, eu reponho os trinta milhões que faltam. Peço para o financeiro transferir para a sua conta amanhã cedinho. Por favor, desiste dessa história de vazar, está bem?
Ela o observou calmamente. Os olhos revelavam clareza e frieza, sem dizer uma única palavra.
Tudo corria conforme as suas previsões.
Embora Felipe tivesse presenciado a índole oculta de Sofia, continuava instintivamente a defendê-la e a lidar com as consequências, usando o pretexto do “bem maior”. Laís já estava ciente dessa realidade.
Contudo, uma coisa é estar ciente e outra bem diferente é escutar com as próprias orelhas.
Ainda assim, Laís sentiu uma sutil pontada de tristeza. Não por qualquer outro motivo, mas porque ao longo dos cinco anos de casamento, ela jamais vira o Felipe defendendo-a daquela maneira instintiva. Jamais.
Felipe esperou em silêncio e, vendo que Laís não se manifestou, argumentou com a lógica:
— Apesar do comportamento escandaloso da Sofia e da tia esta noite, aquilo não passava de pura diversão; ninguém lhe fez mal.
— Sei que você me convidou aqui com o intuito de mostrar o outro lado da Sofia. Já estou a par e vou repensar minha forma de agir.

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