— E você ainda tem a audácia de se esquivar da responsabilidade? Se não foi você que transmitiu a gripe para a nossa filha, quem mais poderia ser?
Laís queria muito falar calmamente, mas percebeu que, sempre que enfrentava Felipe, era impossível manter a calma. Ela não conseguia evitar a histeria.
Pois, bastava pensar na filha que ela quase perdeu a vida para dar à luz sendo tratada de forma tão negligente e superficial pelo homem que um dia amou e admirou.
Seu coração parecia ser esmagado por uma mão gigante, causando-lhe uma dor tão intensa que seu corpo inteiro entrava em espasmos.
Não se deve ter contato com bebês quando se está gripado. Mesmo saudáveis, não se deve beijar o rosto de recém-nascidos indiscriminadamente. Isso é o senso comum mais básico... Ele claramente não se importava de verdade com a filha, mas tentava desesperadamente exibir seu amor paterno.
Como resultado, Aline sofreu sem necessidade, e com apenas dois meses, teve que ser internada para tratamento.
Ao lembrar do sofrimento e da inquietação da filha, as emoções de Laís transbordaram novamente. Ela chorou tanto que se agachou no chão, incapaz de se manter de pé.
Ela não aguentava mais; a filha era sua única fraqueza neste mundo.
Felipe permaneceu paralisado. Levou um bom tempo até que ele finalmente assimilasse a situação.
Nem em seus piores pesadelos ele imaginou que um breve encontro levaria sua filha à internação.
Ele não havia pensado nas consequências; só queria desesperadamente ver a filha e acabou recorrendo a essa má ideia.
Quanto a beijar o rostinho dela, ele admitia que estava emocionado demais. Tinha sentido tanta falta dela que não conseguiu se conter... Aquilo era puro instinto paterno.
Nunca teve a intenção de fazer a filha adoecer e, na época, nem havia percebido que estava gripado.
Até mesmo quando começou a ter febre baixa depois, ele se sentiu aliviado, pensando que tinha tido a sorte de ver a filha antes de a gripe piorar.
Mas o vírus tem um período de incubação, e ele deveria ter sido mais cauteloso... Felipe sentiu-se completamente entorpecido.
Ele sempre lidava com qualquer assunto pessoal ou profissional com maestria. Como podia cometer erros tão grotescos repetidamente quando se tratava de Laís e de sua filha?
Quanto mais ansioso ficava, mais confuso agia. Quanto mais confuso, mais errava, e seus erros se tornavam cada vez mais absurdos... De repente, ele sentiu que havia passado de um homem onipotente para um passarinho assustado. Qualquer movimento era um erro, um fracasso absoluto.
Ver Laís chorando tão desesperadamente, tremendo dos pés à cabeça, partia o seu coração.
Laís sempre fora muito forte em sua memória, alguém que raramente chorava. Antes, mesmo quando ele a repreendia duramente, a ponto de fazê-la sentir-se inútil, ela erguia a cabeça teimosamente, recusando-se a deixar as lágrimas caírem.
Mas, naquele momento, ela chorava tão amargamente, com o rosto banhado em lágrimas.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís