Laís balançou a cabeça:
— Não, não posso continuar dormindo até tarde.
— Antigamente eu acordava certinho às seis da manhã. Desde que ficamos juntos, eu ando ficando cada vez mais preguiçosa.
— Eu engordei quase dois quilos ultimamente, não posso engordar mais. Se eu continuar assim, vou acabar virando um urso.
Jorge sorriu e beliscou levemente o braço dela:
— Engordou onde? Olha só, não tem carne nenhuma aqui, nem consigo beliscar direito.
— Meu objetivo é engordar você um pouco. Você era tão magra antes que parecia que o vento ia te carregar.
Nesse ponto, Laís estava totalmente à mercê de Jorge.
O amor de Jorge não era feito apenas de palavras doces para encantá-la, mas se manifestava em cada pequeno detalhe do cotidiano.
Ele preparava sopa de ginseng para ela sem ninguém perceber. Quando ela acordava de manhã, ele já lhe entregava uma tigela da sopa nutritiva na temperatura ideal.
Ele lembrava direitinho do ciclo menstrual dela. Sempre antes da menstruação chegar, ele já separava os adesivos térmicos com antecedência.
Jorge sabia que Laís tinha problema de útero frio por não ter se recuperado bem depois do parto. Por isso, todas as noites antes de dormir, ele colocava a sua mão grande e quente sobre a barriga dela.
Desde que estavam juntos, Laís, que antes padecia de terríveis cólicas menstruais, passou a não sentir mais esse tormento.
Tudo isso era fruto da atenção implícita e constante de Jorge.
Com um marido assim, ela devia ser uma das mulheres mais felizes do mundo.
Agora, o amor e a dependência que Laís sentia por Jorge aprofundavam-se a cada dia.
Apesar disso, ao mesmo tempo, ela repetia constantemente para si mesma em silêncio que não podia sucumbir inteiramente àquele romance.

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