Barton bateu com a mão na mesa e olhou firmemente para os outros.
— Vocês não vêem como a situação é delicada? O Conselheiro me informou que o Alfa estava sem memória, que a Luna não tinha lobo, que o Beta acobertava tudo isso! É claro que eles não me dariam uma carta! — Ele ajeitou as vestes e levantou o queixo. — Eu apenas agi com a melhor das intenções para com o ShadowBlood.
Dawson, o Ancião logo abaixo de Barton, estreitou os olhos e seus lábios se curvaram em um sorriso de puro deboche.
— Me poupe! Você recebeu algo para isso! Porque nós o conhecemos há anos, Barton, e sabemos muito bem que você não quebra as regras por simplesmente a bondade do seu coração.
— Está me acusando! — Barton ladrou, levando uma mão ao peito e passou os olhos pelos outros Anciãos. — Vocês estão se unindo contra mim!
— Não, nós estamos apenas querendo fazer o nosso trabalho. Caso você quisesse seguir as regras e atuar pelo bem do ShadowBlood, teria pedido uma visita, que, sabemos não poder ser negada a nós. E então sim, poderíamos pedir uma Reunião Extraordinária. Mas um Conselheiro não pode agir por vontade própria.
Se Rhys quisesse, ele poderia se negar à Reunião, dizer que ele não concorda, e então, nenhuma decisão poderia ser feita. Porém, ele não faria isso. Claro que não. Tinha as provas para que ao menos Jeane fosse investigada pela traição do próprio Alfa, a traição de Jamil era evidente e, o que ele também queria muito saber, era se o Conselheiro teve envolvimento com o tal “mal-entendido” entre os bandos, anos antes.
Ainda que Rhys não tivesse recobrado a memória totalmente, ele já sabia da história. E como isso o atormentou por anos, inclusive impedindo-o de abertamente amar Lucretia. Ele a amava, agora, sem qualquer restrição. No entanto, um espinho como esse, que machucou por tantos anos, precisava ser arrancado de uma vez e a ferida tinha que cicatrizar.
Ao acordar, ele estava banhado em suor e virou-se para o lado, desejando tocar em Lucretia, mas ela não estava ali. Ele suspirou longamente, passou a mão pelos cabelos e foi para o chuveiro.
O café da manhã foi servido no quarto, já que ele não podia ter contato com ninguém e nem conversar. No entanto, uma sensação diferente parecia estar no ar. Vozes baixas, como sussurros. Rhys franziu a testa. E ele lembrou-se de algo que Martin havia dito a ele: alguns lobisomens possuem capacidades especiais. E Rhys possuía uma, que era saber quando a conexão mental estava sendo usada perto dele. No entanto, segundo o Beta, ele não podia saber o que falavam.
— Então, que sussurros são esses?

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